Cerca de 20 ministros devem deixar o governo Lula para disputar eleições
Gleisi vai disputar o Senado no PR. Foto: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM / AGÊNCIA BRASIL O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve passar por uma das maiores reformulações desde o início do mandato com a saída de cerca de 20 ministros que pretendem disputar cargos eletivos nas próximas eleições. A movimentação faz parte de uma estratégia política do Palácio do Planalto para fortalecer a presença do petista nos estados e ampliar a base de apoio regional durante a campanha eleitoral. As informações foram apuradas pelo jornal Folha de S. Paulo.
A orientação de Lula é clara: ministros que ocupam mandatos de deputado federal ou senador, atualmente licenciados para integrar o governo, devem deixar seus cargos até o prazo de desincompatibilização, em abril, para garantir suas candidaturas e atuar diretamente nos palanques estaduais. Caso todas as saídas se confirmem, o presidente deverá conduzir a campanha praticamente sem parte do núcleo central de sua equipe ministerial.
Um dos casos mais emblemáticos é o da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Responsável pela articulação política do governo junto ao Congresso Nacional, Gleisi deve deixar o posto para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná, a pedido direto do presidente. Deputada federal licenciada, ela era cotada para buscar a reeleição na Câmara, mas a candidatura ao Senado passou a ser vista como prioridade estratégica para o PT.
Outro nome de peso no Palácio do Planalto que pode deixar o cargo é o do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Segundo aliados, ele avalia disputar o Senado ou até mesmo retornar à disputa pelo Governo da Bahia. Já o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, também deve se afastar do governo, mas com a missão de coordenar a campanha de Lula à reeleição. Diferentemente dos demais, sua saída deve ocorrer apenas em junho. O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, por sua vez, tende a permanecer no cargo, mesmo tendo condições de concorrer novamente a deputado federal por São Paulo.
Além do núcleo palaciano, ao menos 12 ministros de outras pastas também devem se afastar. Entre os nomes que já confirmaram publicamente a saída está Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro. Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, deve tentar a reeleição como deputada federal por São Paulo, enquanto Carlos Fávaro, da Agricultura, deve concorrer ao Senado por Mato Grosso.
Outros ministros que já anunciaram intenção de disputar eleições incluem Jader Filho (Cidades), que deve concorrer a deputado federal pelo Pará; André de Paula (Pesca); Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos); e Waldez Góes (Desenvolvimento Regional). O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, chegou a ser cogitado como candidato, mas desistiu da disputa ainda no fim do ano passado.
O cenário eleitoral também movimenta figuras de destaque do governo. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, deve se filiar ao PSB para disputar o Senado por São Paulo, mesmo estado onde a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também é apontada como possível candidata. O nome do vice-presidente Geraldo Alckmin chegou a ser lembrado para a disputa pelo governo paulista, mas a tendência, segundo interlocutores do Planalto, é mantê-lo como vice na chapa de Lula em 2026.
Outros ministros também avaliam entrar na disputa eleitoral, como Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Camilo Santana (Educação), André Fufuca (Esportes), Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). Há ainda casos de ministros que aguardam aval direto do presidente para confirmar suas candidaturas, como Wolney Queiroz (Previdência) e Márcio França (Empreendedorismo), que manifesta interesse em concorrer ao Governo de São Paulo.
Renan Filho, ministro dos Transportes, já confirmou que deixará o cargo para disputar o Governo de Alagoas. Também são citados como possíveis candidatos os ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia).
Com a saída em massa de ministros, o governo Lula deverá passar por uma reconfiguração significativa em plena campanha eleitoral, ao mesmo tempo em que aposta no fortalecimento político nos estados como estratégia central para garantir sustentação ao projeto de reeleição do presidente.
Redação ANH/DF





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