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RN investe pouco mais de R$ 10 milhões e fica atrás de líderes do turismo nordestino

Assessoria
RN investe pouco mais de R$ 10 milhões e fica atrás de líderes do turismo nordestino Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), Edmar Gadelha. Foto: JOSÉ ALDENIR

O turismo do Rio Grande do Norte apresenta sinais consistentes de recuperação e crescimento, mas segue operando abaixo de seu potencial devido a limitações estruturais históricas, especialmente a baixa disponibilidade de recursos públicos para promoção do destino e a restrita conectividade aérea. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN), Edmar Gadelha, que defende maior prioridade ao setor por parte do poder público estadual.

Em entrevista à TV AGORA RN, Edmar afirmou que o orçamento destinado ao turismo pelo Governo do Estado em 2025 permanece distante do patamar necessário para competir com outros destinos nordestinos que hoje lideram o fluxo de visitantes. Segundo ele, no ano anterior, o RN contou com cerca de R$ 8 milhões em recursos orçamentários para o setor, além de um acréscimo de R$ 3 milhões provenientes de emenda de bancada. Para efeito de comparação, o dirigente citou Alagoas, que atualmente ocupa posição de destaque no turismo regional. “Enquanto o Rio Grande do Norte investe pouco mais de R$ 10 milhões, Alagoas destina cerca de R$ 100 milhões à promoção do turismo”, afirmou.

De acordo com Edmar Gadelha, o baixo nível de investimento compromete a capacidade do estado de se posicionar de forma mais competitiva no mercado nacional e internacional. Ele ressalta que a promoção turística não deve se limitar à publicidade tradicional, mas envolver estratégias de relacionamento direto com companhias aéreas, operadoras de turismo e grandes plataformas de venda. “O investimento mais eficiente é aquele que cria condições para ampliar a oferta de voos e facilitar o acesso do turista ao destino”, avaliou.

Apesar dos entraves, os indicadores recentes apontam crescimento da atividade turística no estado, especialmente no que se refere à receita gerada. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2025, o Rio Grande do Norte registrou desempenho acima da média nacional tanto em faturamento quanto em nível de atividade turística. Para o presidente da ABIH-RN, esse avanço está menos relacionado ao aumento expressivo do número de visitantes e mais ligado à elevação do gasto médio por turista.

Segundo Edmar, o perfil do visitante que chega ao estado vem passando por mudanças, com maior presença de turistas com poder aquisitivo mais elevado. Esse movimento tem sido impulsionado, principalmente, pela retomada do turismo internacional, com destaque para o mercado argentino. Ele explica que a melhora no cenário econômico da Argentina tem favorecido a vinda de turistas dispostos a permanecer mais tempo no destino e a consumir mais serviços. “Esse visitante internacional gera impacto direto na arrecadação e contribui para o fortalecimento da cadeia produtiva do turismo”, afirmou.

O fluxo de estrangeiros ganhou novo fôlego com a implantação de um voo diário da companhia aérea JetSmart, ligando Buenos Aires a Natal desde o fim de dezembro. A nova rota representa um incremento médio de aproximadamente 1.800 turistas argentinos por semana desembarcando diretamente na capital potiguar. De acordo com Edmar, destinos como Pipa, no município de Tibau do Sul, concentram grande parte desse público. “Em algumas épocas, é mais comum ouvir espanhol do que português nas ruas de Pipa”, comentou.

Além do aumento do turismo internacional, outro fator que tem beneficiado a hotelaria potiguar é o maior tempo de permanência dos visitantes. Essa característica ajuda a reduzir a ociosidade dos meios de hospedagem durante os dias úteis, um desafio recorrente em destinos turísticos de sol e praia, tradicionalmente mais movimentados nos fins de semana.

Ainda assim, a conectividade aérea segue como um dos principais gargalos do setor. Edmar Gadelha destaca que a malha aérea do estado continua limitada, o que impacta diretamente no preço das passagens. “Com menos oferta de voos, a tendência é que os preços subam, o que acaba afastando parte da demanda”, explicou. Atualmente, cerca de 80% dos turistas nacionais chegam ao Rio Grande do Norte por meio de transporte aéreo, o que reforça a importância estratégica da ampliação da malha.

Hotelaria registra recuperação consistente

Os dados do setor hoteleiro confirmam o cenário de retomada. Durante o período do Réveillon, a taxa de ocupação superou as projeções iniciais, alcançando cerca de 94%, acima da expectativa de 89%. O mês de janeiro também apresentou desempenho superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, com ocupação média de 84%, frente à expectativa inicial de 78%, representando um crescimento superior a 12%.

As perspectivas para o Carnaval de 2026 indicam manutenção da tendência de alta. A média de ocupação da rede hoteleira já atinge 83%, índice acima do observado em 2025. Para Edmar, esses números demonstram um processo gradual de recuperação dos níveis de ocupação registrados antes da pandemia da Covid-19.

Outro segmento em expansão é o turismo de eventos, especialmente na capital potiguar. Grandes eventos têm registrado crescimento expressivo de público, como o Réveillon realizado na engorda da Praia de Ponta Negra, que passou de cerca de 70 mil participantes em 2025 para aproximadamente 100 mil em 2026. No Carnatal, o público também aumentou, saindo de 100 mil foliões em 2024 para 130 mil em 2025.

Apesar do bom desempenho, o presidente da ABIH-RN alerta que o crescimento sustentável do turismo exige planejamento antecipado. Segundo ele, a divulgação de grandes eventos precisa ocorrer com antecedência suficiente para permitir que turistas, especialmente aqueles que dependem de transporte aéreo, planejem suas viagens. “Em muitos casos, o turista organiza a viagem com até três meses de antecedência”, observou.

Edmar também ressaltou a importância da requalificação da rede hoteleira e da diversificação das experiências turísticas oferecidas no estado. O visitante contemporâneo, segundo ele, busca produtos diferenciados, como turismo do sono, turismo esportivo e turismo corporativo, o que exige investimentos constantes em inovação, modernização e qualificação profissional.

Ao concluir a entrevista, o dirigente reforçou que, embora o momento seja positivo, o turismo potiguar ainda enfrenta desafios estruturais que precisam ser enfrentados de forma permanente. Para ele, o setor deve ser tratado como política pública estratégica. “O turismo é um dos pilares da economia do Rio Grande do Norte. Para que ele alcance todo o seu potencial, é fundamental ampliar os investimentos, melhorar a conectividade aérea e fortalecer a articulação entre governo e iniciativa privada”, concluiu.

Redação ANH/RN




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