PF ouve oito investigados em caso que apura irregularidades no Banco Master
Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil) PF começa a ouvir investigados em operação que apura tentativa de compra do Banco Master pelo BRB
A Polícia Federal inicia nesta segunda-feira (26) a fase de depoimentos da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Ao todo, oito investigados devem prestar esclarecimentos às autoridades, em oitivas que ocorrerão por videoconferência ou presencialmente na sede do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os convocados estão diretores e ex-executivos do Banco Master e do BRB, além de empresários ligados ao setor financeiro. As apurações concentram-se, principalmente, na venda de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas fictícias ao BRB, além de uma complexa estrutura de fundos e ativos supostamente inflados para elevar artificialmente o patrimônio do Master. De acordo com o Banco Central (BC), essas operações envolveram a gestora Reag DTVM e somam aproximadamente R$ 11,5 bilhões.
O caso teve início após o BRB anunciar, em 28 de março de 2025, uma proposta de compra do Banco Master. O objetivo era a criação de um novo conglomerado financeiro sob controle da instituição estatal. Desde o anúncio, no entanto, a operação gerou controvérsias no mercado e levantou questionamentos sobre a real situação financeira do Master, especialmente em relação à qualidade de seus ativos.
Diante das suspeitas, o Banco Central passou a analisar o negócio e, em 3 de setembro, decidiu reprovar a operação. A negativa intensificou as investigações sobre o Banco Master e seu controlador, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o banco teria montado uma estrutura baseada em operações irregulares, fraudulentas ou enganosas, com o objetivo de aparentar solidez financeira e continuar captando recursos no mercado.
As investigações apontam que o Banco Master registrou crescimento acelerado nos últimos anos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade acima da média praticada no mercado. A estratégia de captação era sustentada, sobretudo, pela divulgação da proteção oferecida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que atraía investidores. No entanto, as apurações indicam que os balanços da instituição apresentavam ativos inflados artificialmente, por meio de fundos considerados suspeitos e operações de crédito consignado com baixa consistência, enquanto os passivos superavam os valores declarados.
Na lista de investigados que prestarão depoimento estão dirigentes do BRB, executivos do Banco Master, empresários e ex-gestores da instituição financeira. A expectativa da PF é de que os depoimentos ajudem a esclarecer o funcionamento do suposto esquema e o papel de cada investigado nas operações analisadas.
A primeira fase da operação Compliance Zero resultou na prisão de Daniel Vorcaro no dia 17 de novembro de 2025, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. Vorcaro é apontado como o principal responsável pela estrutura que teria vendido créditos inexistentes ao BRB. Ele chegou a ficar detido, mas posteriormente foi solto.
Após a liquidação do Banco Master, o Banco Central também determinou o encerramento de outras instituições ligadas ao caso. No último dia 15, foi liquidada a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Trust. Já na quarta-feira (21), o BC decretou a liquidação do Will Bank, ampliando os efeitos do caso sobre o sistema financeiro.
As investigações seguem em andamento e podem resultar em novas fases da operação, além de responsabilizações administrativas, civis e criminais, conforme o avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal e pelos órgãos de controle financeiro.
Redação ANH/DF





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