Estado do RN publica relação inédita de espécies em risco de extinção
Tartarugas-marinhas do RN enfrentam alto risco de extinção. Tartaruga-oliva - Foto: reprodução O Rio Grande do Norte passou a contar, a partir de janeiro de 2025, com a primeira lista oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção no estado. O levantamento, publicado no Diário Oficial do Estado, reúne 172 espécies animais e representa um marco para a política ambiental potiguar. Entre os animais listados estão quatro espécies de tartarugas-marinhas, classificadas em diferentes níveis de risco: vulnerável, em perigo e criticamente em perigo.
De acordo com a classificação adotada no documento, a categoria “vulnerável” reúne espécies que apresentam alto risco de extinção a médio prazo. Nesse grupo estão a tartaruga-cabeçuda e a tartaruga-oliva, ambas registradas no litoral do estado e frequentemente afetadas por ameaças como captura acidental, poluição marinha e degradação de áreas de desova.
Já a categoria “em perigo” indica um risco ainda mais elevado, com possibilidade concreta de desaparecimento em um futuro próximo. É nessa situação que se encontra a tartaruga-de-pente, considerada a espécie mais comum no litoral potiguar. Apesar da presença recorrente, o enquadramento reforça o alerta sobre a redução populacional e a necessidade de medidas de proteção mais efetivas.
Na classificação mais grave, “criticamente em perigo”, estão os animais que enfrentam risco extremamente alto de extinção imediata na natureza. A tartaruga-de-couro, a maior espécie de tartaruga-marinha do mundo e também presente no litoral do Rio Grande do Norte, integra essa categoria, evidenciando o cenário preocupante para a conservação da espécie.
Para a Associação de Proteção e Conservação Ambiental Cabo de São Roque (APC Cabo de São Roque), que atua há cerca de dez anos no monitoramento de tartarugas-marinhas no estado, a divulgação da lista oficial reforça a urgência de ampliar ações de conservação e políticas públicas voltadas à preservação ambiental.
“O trabalho de conservação aliado à sensibilização da população é fundamental para garantir a sobrevivência dessas espécies. Essa lista deixa claro que é cada vez mais necessário investir em educação ambiental, fiscalização e políticas públicas permanentes de proteção da fauna”, afirmou Lucas Silva, presidente da APC Cabo de São Roque.

Monitoramento e conservação
O acompanhamento dos ninhos de tartarugas-marinhas no litoral potiguar é realizado desde 2016 pela APC Cabo de São Roque, por meio do projeto Tartarugas ao Mar. A iniciativa desenvolve ações contínuas de pesquisa, conservação e educação ambiental ao longo das praias monitoradas.
O trabalho é executado por uma equipe multidisciplinar formada por veterinários, biólogos, estudantes e pesquisadores, que atuam diariamente nas áreas de desova. Entre as atividades desenvolvidas estão a coleta de amostras biológicas, ações educativas com moradores e turistas, registro e atendimento de encalhes de tartarugas vivas ou mortas, marcação de animais juvenis e adultos, além do mapeamento, monitoramento e proteção dos ninhos.
Atualmente, a associação acompanha 15 praias distribuídas em quatro municípios dos litorais sul e norte do Rio Grande do Norte: Parnamirim, Nísia Floresta, Ceará-Mirim e Maxaranguape. As áreas monitoradas concentram importantes pontos de desova e trânsito das espécies listadas como ameaçadas.
Desde o início do projeto, mais de 2 mil ninhos de tartarugas-marinhas foram protegidos, o que possibilitou que mais de 140 mil filhotes chegassem ao mar em segurança. Os números reforçam a relevância do trabalho desenvolvido e o impacto positivo das ações de conservação para a manutenção das espécies no litoral potiguar.
A publicação da lista oficial de fauna ameaçada de extinção é considerada um instrumento essencial para orientar ações de preservação, definir prioridades de conservação e fortalecer iniciativas voltadas à proteção da biodiversidade no Rio Grande do Norte.
Redação ANH/RN





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