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Maceió,06/02/2026

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Diferença salarial entre Ceará e Brasil supera 15%, indicam dados recentes

Assessoria
Diferença salarial entre Ceará e Brasil supera 15%, indicam dados recentes No Brasil, salários de admissão tiveram os maiores valores da série histórica para o mês de dezembro. Foto: Kid Junior

O valor médio pago a trabalhadores recém-contratados no Ceará apresentou leve retração no fim do último ano, refletindo mudanças no perfil das vagas abertas e na dinâmica do mercado formal de trabalho. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o salário médio de admissão em dezembro de 2025 foi de R$ 1.940,90, enquanto no mesmo mês de 2024 havia alcançado R$ 1.951,70. Embora a diferença seja pequena, especialistas avaliam que o indicador ajuda a compreender transformações estruturais na economia estadual.

Na comparação com o cenário nacional, o contraste é mais expressivo. A média brasileira de salários iniciais chegou a R$ 2.303,78 em dezembro de 2025, superando em cerca de 15,7% o valor registrado no Ceará. O resultado nacional também representa o maior nível da série histórica iniciada em 2020, indicando um movimento de valorização salarial em algumas regiões e setores da economia.

A evolução histórica dos dados revela que os salários de admissão no estado mantêm certa estabilidade ao longo dos anos, com pequenas oscilações próximas à faixa dos R$ 1,9 mil. Já no Brasil, os valores têm apresentado crescimento gradual, sobretudo a partir de 2023, impulsionados por um mercado de trabalho mais aquecido e pela maior disputa por mão de obra qualificada.

Para o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do FGV Ibre, Vitor Hugo Miro, parte da variação observada está relacionada à sazonalidade típica do fim de ano. Segundo ele, o período concentra contratações temporárias em setores como comércio e serviços, especialmente para atender à demanda das festas e do turismo, o que tende a puxar a média salarial para baixo. Nos primeiros meses do ano, a tendência é que novas vagas, muitas vezes com maior qualificação exigida, contribuam para uma elevação gradual dos rendimentos iniciais.

O pesquisador ressalta ainda que estados com forte presença do setor de serviços, como o Ceará, são mais sensíveis a essas oscilações sazonais. Ele destaca que análises mais amplas, que incluem trabalhadores informais e autônomos, apontam para uma trajetória de crescimento da renda média, o que sugere que o comportamento do mercado formal nem sempre reflete o cenário geral da economia.

Outro fator apontado pelos especialistas é o contexto nacional de baixo desemprego, que aumenta a competição por profissionais e pode pressionar empresas a oferecer melhores salários ou benefícios para atrair trabalhadores. Esse movimento, segundo Miro, deve continuar ao longo de 2026, acompanhando a expansão econômica e a retomada gradual de investimentos em diferentes áreas.

Já o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará, Wandemberg Almeida, avalia que a leve queda no salário de admissão também reflete mudanças no perfil das vagas criadas no estado. Ele observa que tem crescido o número de oportunidades em setores de menor qualificação, como telemarketing, logística e serviços gerais, com remunerações próximas ao salário mínimo, o que impacta diretamente a média geral.

Para o economista, a geração de empregos segue em ritmo positivo, mas ainda concentrada em áreas com menor valor agregado. Ele acredita que o cenário pode mudar nos próximos anos com a chegada de novos investimentos, como polos tecnológicos e centros de dados, que tendem a demandar mão de obra mais qualificada e, consequentemente, melhor remunerada.

Almeida destaca que profissões ligadas à tecnologia da informação, saúde e logística já apresentam sinais de valorização no Ceará, mas reforça que avanços mais consistentes dependerão de políticas públicas voltadas à capacitação profissional e à atração de empresas que ofereçam vagas com maior nível técnico. Segundo ele, o desafio do estado é equilibrar a expansão do emprego com a melhoria da qualidade das oportunidades, garantindo crescimento econômico aliado ao aumento do poder de renda da população.

Redação ANH/CE




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