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Maceió,08/04/2026

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Força-tarefa mobiliza litoral nordestino na busca por peixes-bois desaparecidos

Assessoria
Força-tarefa mobiliza litoral nordestino na busca por peixes-bois desaparecidos Peixes-boi perdidos podem ser encontrados em águas rasas. Foto: Mika Holanda/Acervo Aquasis

O litoral das regiões Norte e Nordeste do Brasil está mobilizado em uma força-tarefa para localizar dois peixes-bois-marinhos desaparecidos após a soltura monitorada: Ariel e Estevão. Os animais foram resgatados ainda recém-nascidos pela ONG Aquasis, em 2016, depois de encalharem em praias do litoral leste do Ceará. Após mais de oito anos de reabilitação, alimentação controlada, acompanhamento veterinário e avaliações comportamentais, ambos foram devolvidos ao habitat natural. No entanto, perderam os equipamentos de rastreamento e deixaram de ser localizados.

A perda dos transmissores ocorreu logo nos primeiros dias em vida livre, o que impediu a equipe técnica de acompanhar seus deslocamentos iniciais e identificar padrões de adaptação. Desde então, a Aquasis ampliou os alertas de busca para praticamente toda a faixa costeira entre o Pará e a Bahia, com o apoio de instituições que integram as redes regionais de monitoramento de mamíferos aquáticos.

Estevão, desaparecido desde agosto de 2024, é identificado pelo número 8 marcado na cabeça e próximo à cauda — sinal que já está parcialmente apagado. Ariel, que não é vista desde novembro de 2025, possui o número 16 pintado em branco nos mesmos pontos do corpo. Existe ainda a possibilidade de que ambos estejam com parte do antigo cinto de fixação na base da cauda.

Especialistas alertam que o período inicial após a soltura é considerado crítico para a adaptação de animais reabilitados. O monitoramento por satélite e rádio permite verificar se estão encontrando alimento, água doce e áreas adequadas de permanência. Sem esse acompanhamento, aumentam os riscos de desidratação, desnutrição, doenças e deslocamentos excessivos. Além disso, os peixes-bois podem acabar em ambientes inadequados, como áreas rasas, poluídas ou com intensa atividade humana.

O sistema de rastreamento utilizado é projetado com dispositivos de segurança que evitam acidentes. O transmissor é conectado ao corpo do animal por meio de um cabo preso a um cinto instalado na base da cauda, com pontos de ruptura que se soltam em caso de enrosco em redes de pesca ou galhos, prevenindo afogamento ou exaustão. Ainda assim, o desprendimento precoce do equipamento compromete o acompanhamento científico.

As buscas enfrentam obstáculos naturais. A turbidez das águas do Ceará dificulta a visualização, enquanto o comportamento discreto da espécie reduz as chances de avistamento. Além disso, os peixes-bois possuem grande capacidade de deslocamento, podendo percorrer longas distâncias em pouco tempo. Por terem crescido sob cuidados humanos, Ariel e Estevão podem apresentar maior aproximação de áreas ocupadas por pessoas, como estuários, rios, gamboas e até regiões costeiras menos comuns para a espécie.

Enquanto a procura pelos dois animais continua, a Aquasis segue monitorando outros três peixes-bois soltos no litoral cearense. Um deles, Chiquinho, vive há cerca de dez meses em Icapuí e apresenta sinais positivos de adaptação. Outros dois, Mirim e Pintada, libertados em 2023, já utilizam diferentes áreas do município como território fixo e são considerados exemplos de sucesso na reintegração à vida selvagem.

Icapuí concentra a maior parte da população de peixes-bois do Ceará. Em levantamento realizado em 2025 pela Aquasis em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), foram registrados ao menos 60 indivíduos na região. Apesar do número, especialistas ressaltam que a espécie permanece ameaçada de extinção e depende de ações contínuas de conservação.

A ONG reforça o apelo às comunidades costeiras, pescadores, marisqueiras, moradores ribeirinhos e veranistas para que comuniquem qualquer avistamento de animais com as marcações 8 ou 16. Registros em foto ou vídeo podem ser decisivos para que as equipes retomem o monitoramento e garantam a segurança dos peixes-bois.

Fundada há quase 30 anos, a Aquasis atua na proteção de espécies ameaçadas e na preservação de ecossistemas no Ceará. Além do trabalho com peixes-bois, a instituição também presta atendimento a cetáceos encalhados e desenvolve ações de educação socioambiental. Atualmente, 24 peixes-bois permanecem sob cuidados da organização, enquanto Ariel e Estevão seguem como prioridade nas buscas.

Redação ANH/CE




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