Seja bem-vindo
Maceió,17/04/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Fortaleza brilha com único ouro brasileiro em olimpíada de matemática na Europa

Assessoria
Fortaleza brilha com único ouro brasileiro em olimpíada de matemática na Europa Júlia Leguiza, 17 anos, conquistou única medalha de ouro da equipe brasileira que participou da European Girls' Mathematical Olympiada, maior olimpíada internacional de matemática exclusiva para meninas. Foto: Arquivo Pessoal

Cearense Julia Leguiza conquista ouro na maior olimpíada de matemática feminina do mundo


A estudante de Fortaleza, com apenas 17 anos, é a segunda brasileira a alcançar o topo da European Girls' Mathematical Olympiad, competição que reúne cerca de 60 países. Cursando o segundo ano do Ensino Médio, Julia Leguiza conquistou a única medalha de ouro da equipe brasileira na EGMO 2026, realizada em Bordeaux, França, entre 9 e 15 de abril.

O resultado superou as expectativas da jovem, que dedicou anos de estudos para participar do evento internacional. "Então, para mim, parecia muito impossível. E aí, quando vi que tinha sido ouro, fiquei muito impressionada e feliz", relata. O feito marca apenas o segundo ouro brasileiro na história da olimpíada, sendo o primeiro conquistado em 2019.

Além da medalha de Julia, a delegação nacional retornou com mais uma medalha de prata, outra de bronze e uma menção honrosa, consolidando o Brasil como a melhor equipe da América Latina. O desempenho garantiu ao país a 15ª posição no ranking geral da competição.

O caminho até Bordeaux começou de forma inesperada. Durante o quinto ano do Ensino Fundamental, ao se preparar para as seletivas do Colégio Militar de Fortaleza, Julia descobriu uma "matemática diferente", com conteúdos mais complexos que despertaram sua curiosidade. Após dois anos tentando, conseguiu entrar na instituição pública e, em seguida, conheceu a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), abrindo um novo horizonte.

A participação em competições matemáticas também realizou um sonho pessoal: viajar para fora do Estado. Em 2022, visitou Recife após conquistar ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática. Desde então, as olimpíadas a levaram para Florianópolis, Argentina, México e, agora, França. "Gosto de fazer olimpíadas para poder viajar, porque acho muito legal e não tenho essa prática nem essa disponibilidade muito fácil", comenta.

Em um ambiente onde mulheres representam menos de 20% em competições como a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), a EGMO cumpre papel fundamental ao encorajar garotas a seguirem a paixão pelos números. Julia vivenciou essa solidão no início da trajetória olímpica, mas o surgimento de torneios femininos foi decisivo para sua motivação. "Durante o início, em alguns momentos, me senti mais desmotivada, mas depois descobri que tinham olimpíadas femininas e isso me motivou a continuar", revela.

Apesar de reconhecer que eventos exclusivos para mulheres são "mais confortáveis", Julia não pretende se limitar a essas competições. A estudante já planeja os próximos passos: classificar-se para a Olimpíada Internacional de Matemática e a Olimpíada Ibero-americana de Matemática, ambas mistas. "Acho importante que meninas nunca se limitem a olimpíadas femininas. Considero que esses eventos são um apoio, uma motivação. Dê o seu máximo em competições mistas, porque não é impossível", incentiva.

A rotina de dedicação é intensa. Julia estuda mais de oito horas diárias, inclusive nos fins de semana, com aulas de preparação com professora especializada. Mesmo com agenda cheia, prioriza momentos de pausa e convivência com colegas, com quem frequentemente se reúne para resolver problemas matemáticos.

Para o futuro, a cearense ambiciona unir a paixão pela matemática a desafios acadêmicos internacionais de alto nível. Seu objetivo principal é conquistar vaga em uma universidade nos Estados Unidos, caminho que reconhece como desafiador mas não impossível. No Brasil, o ouro conquistado na EGMO garante entrada direta em universidades públicas como a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que oferecem vagas olímpicas para medalhistas.

O êxito de Julia integra um movimento mais amplo no país. Instituições como USP, Unicamp, Unesp e universidades federais passaram a reservar vagas para campeões de olimpíadas científicas, transformando essas competições numa estratégia real de acesso ao ensino superior brasileiro. A OBMEP, maior competição de matemática do país, registrou números recordes em 2025, com 18,6 milhões de estudantes de 57.222 escolas em 5.566 municípios, cobrindo 99,93% das cidades brasileiras.

Redação ANH/CE




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.