Pastor preso na operação Falso Profeta por estelionato, estupro de vulnerável e abusos em igreja do Maranhão
Além das agressões diretas, o suspeito utilizava a fome como ferramenta de punição. Foto: Reprodução/Polícia Civil do Maranhão. Pastor investigado por usar estrutura religiosa para aplicar castigos físicos e cometer abusos sexuais no Maranhão
A Polícia Civil do Maranhão investiga um pastor suspeito de utilizar sua liderança religiosa para manter controle sobre aproximadamente 100 a 150 seguidores através de castigos físicos, abuso sexual e coerção psicológica. O religioso, preso na manhã de sexta-feira, 17, foi investigado por cerca de dois anos pelos crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa, durante a operação Falso Profeta.
As investigações apontam que o esquema de punições era aplicado contra fiéis acusados de desobediência ou infração das regras internas da comunidade. Entre as formas de castigo estava o uso de chicotadas com reio, denominadas pela vítimas como "readas", além de isolamento, privação de alimentos e humilhações psicológicas. Uma vítima relatou: se a gente não fizesse o que ele queria, a gente era punido. Ele deixava a gente de canto, fazia a gente ficar sem comer, fazia a gente apanhar se a gente não fizesse o desejo dele.
A fome funcionava como instrumento de controle sistemático. Em áudios obtidos pelas autoridades, o pastor afirmava que seguidores permaneceriam sem alimentação até resolver situações específicas. Outra estratégia de pressão psicológica consistia em obrigar os fiéis a escreverem repetidamente a frase eu preciso aprender a respeitar o meu líder em folhas de papel.
O pastor se referia aos seus seguidores como piões e chamava o dormitório comunitário de baia. As agressões físicas e a pressão psicológica facilitavam a prática de abusos sexuais, principalmente contra homens da comunidade. Uma das vítimas descreveu a manipulação sofrida: ele dizia que, por fora, podia ser homem, mas que, em quatro paredes, tinha que ser mulher para poder nos ludibriar, relato que deixou o homem atormentado com muitas lembranças.
Para impedir fugas e denúncias, havia vigilância rigorosa com câmeras instaladas inclusive nos banheiros e proibição absoluta de contato com o mundo exterior. As vítimas identificadas eram geralmente pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social, como um jovem que buscou auxílio na instituição religiosa aos 13 anos enquanto vivia nas ruas.
O inquérito policial identificou entre cinco e seis vítimas até o momento. Durante o cumprimento da operação Falso Profeta, coordenada pela Delegacia de Paço do Lumiar com apoio da Polícia Militar e outras unidades policiais, foram apreendidos celulares, documentos e objetos que auxiliarão na investigação. A Polícia Civil continua os trabalhos para identificar novas vítimas e reunir elementos probatórios adicionais sobre o caso.
Redação ANH/MA





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