Ceará 3º no Nordeste em volume investido: R$ 4,78 bi em 2025 sob análise
A segurança hídrica é uma das áreas prioritárias de investimento do Governo do Ceará. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Ceará amplia investimentos públicos em 2025 e bate recorde histórico
O Ceará ampliou em 15,8% os investimentos públicos em 2025, passando de R$ 4,12 bilhões no ano anterior para R$ 4,78 bilhões, o maior valor da série histórica analisada pela Aequus Consultoria Econômica. O avanço ficou acima da média nacional de 7,9%, considerando valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro.
No ranking nordestino de crescimento percentual, o Ceará ficou em 5º lugar, atrás de Sergipe (62,8%), Maranhão (59%), Pernambuco (39,7%) e Paraíba (32,6%). Essa colocação se explica porque os demais estados partem de uma base menor de aportes, o que faz o incremento render um percentual mais alto. Já em volume de recursos investidos, o Ceará sobe para o 3º lugar regional, com R$ 4,78 bilhões, superado apenas pela Bahia (R$ 8 bilhões), líder desde 2017, e pelo Maranhão (R$ 5,29 bilhões).
Manuel Salgueiro Rodrigues Júnior, coordenador do Observatório de Finanças e Orçamento Público da Universidade Estadual do Ceará (Uece), destaca que o Ceará cresce sobre uma base já elevada, o que tende a limitar taxas percentuais mais expressivas. "O fato de o Ceará crescer sobre uma base já elevada tende a limitar taxas percentuais mais expressivas, diferentemente de estados que partem de patamares menores e, por isso, apresentam variações mais acentuadas", observa o docente.
Alberto Borges, sócio-diretor da Aequus, ressalta que, diferentemente de outros estados nordestinos, o Ceará tem mantido o fluxo de investimento relativamente estável ao longo dos anos. Para o economista, o quadro fiscal do Estado é positivo, com manutenção do nível de investimentos relativamente estável, baixo endividamento e reserva de caixa.
Transporte lidera investimentos
Na execução orçamentária de 2025, o transporte aparece em primeiro lugar com R$ 1,4 bilhão empenhados, seguido pela gestão ambiental (R$ 1,067 bilhão), educação (R$ 717 milhões) e urbanismo (R$ 350 milhões). Os investimentos se concentram em áreas estratégicas como segurança hídrica, infraestrutura urbana e transporte, todos com elevado potencial de retorno econômico e social.
Operações de crédito triplicam
Um destaque do levantamento da Aequus é o volume de operações de crédito do governo estadual, que atingiu o maior nível da série histórica e mais que triplicou entre 2024 e 2025. De acordo com a Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), foram empenhados R$ 2,11 bilhões em investimentos financiados por operações de crédito.
Manuel Salgueiro observa que o aumento das operações de crédito surge como um ponto de atenção, pois implica maior comprometimento futuro com amortizações e encargos. Apesar dessa questão, a Seplag afirmou que a capacidade do Estado de captar recursos está diretamente relacionada à obtenção de um rating favorável, tendo recebido em setembro de 2025 o reconhecimento de capacidade de pagamento A+ (Capag A+).
Prioridades para 2026
Para o próximo ano, o Governo do Ceará mantém como prioridades a ampliação dos serviços de esgotamento sanitário e abastecimento de água, implantação do projeto Malha D'Água, construção do Cinturão das Águas, implantação da Linha Leste do metrô, pavimentação de rodovias, execução do VLT Ramal Aeroporto, construção de escolas de tempo integral e reforço à rede de saúde.
O Governo também ressaltou a ampliação dos aportes no programa Ceará Sem Fome, que combate a insegurança alimentar através do Cartão Ceará Sem Fome, com o qual beneficiários recebem mensalmente R$ 300 para alimentação, e da Rede de Unidades Sociais Produtoras de Refeições.
Dívida sob controle
A dívida consolidada do Ceará teve leve queda entre 2024 e 2025, passando de R$ 20,4 bilhões para R$ 20,2 bilhões. Em proporção à receita corrente líquida, ela caiu de 33,4% para 30,4% nesse período. Conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, o nível de endividamento dos estados é de até 200% da RCL, deixando o Ceará com margem expressiva de endividamento.
Redação ANH/CE





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