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Maceió,07/05/2026

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Fortaleza registra aumento de ocorrências em abril após chuvas acima da média

Assessoria
Fortaleza registra aumento de ocorrências em abril após chuvas acima da média Diversas comunidades de Fortaleza enfrentam problemas com alagamentos. Foto: José Leomar

Fortaleza convive com uma vulnerabilidade urbana permanente que se agrava durante o período chuvoso, aumentando os registros de alagamentos, desabamentos e deslizamentos em diferentes regiões da cidade. O cenário tem ampliado o temor de moradores que vivem em áreas de risco e convivem com a possibilidade de perder suas casas.

Dados da Defesa Civil de Fortaleza apontam que, entre janeiro e abril deste ano, foram registradas em média 206 ocorrências por mês. O número representa redução de cerca de 27% em comparação aos mesmos períodos de 2025 e 2024, quando as médias ficaram em 283 e 279 ocorrências mensais, respectivamente. Apesar da queda geral, abril apresentou aumento nos registros em relação aos anos anteriores, impulsionado pelo volume elevado de chuvas.

Segundo o Calendário de Chuvas do Ceará, Fortaleza acumulou 499 milímetros de precipitação no mês passado, índice 36% acima da média histórica para abril, que é de 365,1 milímetros.

Os riscos de desabamento seguem como principal ocorrência acompanhada pela Defesa Civil, com 648 registros neste ano. Em seguida aparecem os alagamentos, com 51 casos, e os desabamentos já consumados, com 49 ocorrências.

A Prefeitura de Fortaleza atribui parte da redução geral dos sinistros às ações preventivas de limpeza de canais, lagoas, córregos e riachos iniciadas no ano passado. Em 2025, foram realizadas 258 intervenções em recursos hídricos da capital. Para este ano, a previsão é de mais de 200 novas ações de limpeza em diferentes regiões da cidade.

Entre os casos recentes de maior repercussão está a situação da comunidade Vila Gomes, no bairro Aerolândia. Pelo menos 66 imóveis foram afetados por alagamentos e problemas no solo. Moradores afirmam que rachaduras e fissuras nas residências surgiram após obras de um empreendimento próximo ligado ao Aeroporto de Fortaleza. A empresa responsável pelas intervenções, no entanto, afirma que não há comprovação de relação direta entre as obras e os danos registrados nas casas.

Os problemas urbanos relacionados à drenagem não se restringem ao período chuvoso. Em 2025, Fortaleza contabilizou 1.959 ocorrências atendidas pela Defesa Civil, sendo 701 registradas fora da quadra chuvosa. No ano anterior, dos 2.020 casos totais, 661 ocorreram entre junho e dezembro.

Para o professor do Instituto Federal do Ceará e conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Ceará, Rérisson Máximo, os impactos das chuvas estão ligados não apenas ao volume acumulado, mas principalmente à intensidade das precipitações em curtos períodos de tempo. Segundo ele, o sistema de drenagem urbana não consegue absorver rapidamente grandes quantidades de água, provocando sobrecarga nas galerias e canais subterrâneos.

O especialista também aponta que a ocupação desordenada de áreas próximas a rios e lagoas contribuiu para ampliar os riscos urbanos em Fortaleza. Ele destaca que o crescimento da cidade ocorreu sem considerar adequadamente os recursos hídricos naturais da capital.

De acordo com Máximo, a alta densidade populacional e a falta de acesso à moradia formal estimularam construções irregulares em comunidades periféricas, muitas vezes com três ou quatro pavimentos erguidos sem acompanhamento técnico adequado. O cenário ajuda a explicar o elevado número de ocorrências relacionadas a risco de desabamento.

Apesar dos desafios, algumas obras estruturantes apresentaram resultados positivos nos últimos anos. O professor cita intervenções nos rios Maranguapinho e Cocó como medidas que contribuíram para reduzir enchentes históricas e diminuir riscos para moradores dessas regiões.

Ele ressalta, porém, que soluções definitivas dependem da implementação de políticas habitacionais permanentes e de planejamento urbano integrado. Para o especialista, não basta apenas remover famílias de áreas de risco, sendo necessário garantir alternativas dignas de moradia.

Em meio ao cenário de vulnerabilidade, a Prefeitura de Fortaleza mantém obras de drenagem, urbanização e pavimentação em mais de 20 áreas distribuídas por 13 bairros da capital. As intervenções fazem parte de um financiamento de R$ 250 milhões firmado neste ano entre o município e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Segundo a Secretaria Municipal da Infraestrutura, os projetos incluem implantação de galerias subterrâneas, bocas de lobo, sarjetas e pavimentação de vias para melhorar o escoamento das águas pluviais e reduzir os alagamentos.

O secretário municipal da Infraestrutura, André Daher, reconheceu que os alagamentos representam um problema histórico de Fortaleza e atribuiu parte da situação à ausência de sistemas adequados de drenagem em áreas urbanizadas ao longo das últimas décadas.

A gestão municipal afirma que novas obras de pavimentação passarão a ser executadas apenas com implantação prévia de sistemas de drenagem, como forma de aumentar a durabilidade das vias e minimizar prejuízos causados pelas chuvas.

Enquanto isso, moradores de áreas vulneráveis seguem convivendo com o medo provocado pelas chuvas intensas, rachaduras em imóveis e risco constante de novos desastres urbanos.

Redação ANH/CE




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