Recife cai no ranking nacional de qualidade de vida e acende alerta
Movimentação nas ruas do Recife. (Marina Torres/DP Foto) A cidade do Recife apareceu entre as capitais brasileiras com pior qualidade de vida no levantamento do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). A capital pernambucana ocupa agora a 23ª posição entre as 27 capitais do país, ficando entre os cinco piores desempenhos nacionais no ranking.
O resultado representa uma queda em relação ao levantamento anterior e reforça os desafios históricos enfrentados pela capital em áreas como segurança pública, desigualdade social, mobilidade urbana e infraestrutura.
O Índice de Progresso Social é considerado um dos principais estudos sobre qualidade de vida no Brasil. Diferentemente de rankings econômicos tradicionais, o IPS não utiliza indicadores financeiros como Produto Interno Bruto (PIB) ou renda per capita. A metodologia avalia diretamente o impacto das políticas públicas e das condições sociais na vida da população.
O estudo analisa os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais, divididos em três grandes áreas: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.
Entre os critérios avaliados estão acesso à saúde, saneamento básico, educação, segurança, expectativa de vida, acesso à internet, inclusão social, violência contra mulheres, áreas verdes urbanas, acesso à cultura e mobilidade.
No ranking das capitais brasileiras, Curitiba lidera a lista de melhor qualidade de vida, seguida por Campo Grande e Brasília. Já no Nordeste, João Pessoa aparece como a capital mais bem posicionada.
O levantamento também evidencia as desigualdades regionais no Brasil, mostrando concentração dos menores índices principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
No recorte estadual, Pernambuco aparece na 16ª posição nacional entre os estados brasileiros. Apesar disso, algumas cidades do interior pernambucano apresentaram desempenho superior ao da capital.
Fernando de Noronha foi o município pernambucano mais bem colocado no ranking, alcançando índice de 71,75. Outras cidades como Belo Jardim, Santa Cruz do Capibaribe, Petrolina e Caruaru também tiveram desempenho acima da média estadual.
Caruaru, inclusive, apareceu à frente do Recife em alguns indicadores analisados pelo IPS, demonstrando avanço em áreas ligadas ao bem-estar social e à oferta de serviços.
Por outro lado, municípios do Sertão pernambucano registraram os menores índices do estado. Carnaubeira da Penha apresentou a pior pontuação estadual, seguido por Paranatama e Casinhas.
Especialistas apontam que o desempenho do Recife está diretamente relacionado a problemas estruturais históricos, especialmente nas áreas de segurança pública e desigualdade urbana. Levantamento recente do Instituto Cidades Sustentáveis apontou que a violência é considerada o principal problema da capital por grande parte da população.
O estudo também mostra que, apesar de avanços em serviços básicos e moradia em várias regiões do país, os maiores gargalos brasileiros continuam concentrados na inclusão social, acesso a oportunidades e combate à violência.
Os dados do IPS Brasil 2026 devem servir como referência para gestores públicos na elaboração de políticas voltadas à melhoria da qualidade de vida e redução das desigualdades sociais nos municípios brasileiros.
Redação ANH/PE








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