Polícia fecha fábrica clandestina que reembalava whey protein vencido em SP
Os policiais apreenderam diversos paletes de mercadorias, rolos de etiquetas adulteradas e embalagens novas. Foto: Polícia Civil Uma fábrica clandestina suspeita de reembalar e comercializar whey protein e leite em pó vencidos foi fechada pela Polícia Civil na terça-feira (23), em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Durante a operação, os agentes prenderam o empresário Bruno Missaci Antunes, apontado como responsável pelo esquema, que teria alterado as datas de validade dos produtos antes de colocá-los novamente no mercado.
A ação foi realizada por equipes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), após denúncias e movimentações consideradas suspeitas em um galpão localizado no bairro Jardim Dona Therezinha. No local, os policiais encontraram embalagens vazias de suplementos alimentares descartadas em uma caçamba, além de sacos contendo whey protein e leite em pó.
Segundo as investigações, os produtos vencidos eram retirados das embalagens originais, reenvasados em novos recipientes e recebiam etiquetas com datas de validade alteradas, algumas estendidas até 2027. A suspeita é de que as mercadorias adulteradas fossem posteriormente revendidas ao consumidor.
Funcionários ouvidos pela polícia confirmaram que realizavam a retirada e o reenvase dos produtos por determinação da empresa. No entanto, afirmaram não saber qual era o destino final dos itens manipulados.
Durante a operação, foram apreendidos paletes de mercadorias, embalagens novas, rolos de etiquetas supostamente adulteradas escondidos em um armário de cozinha e o telefone celular do empresário.
Bruno Missaci Antunes foi autuado por crime contra a saúde pública, relacionado à adulteração de produtos alimentícios destinados ao consumo. Após passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (24), ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e permanecerá detido enquanto as investigações prosseguem.
Seis funcionários prestaram depoimento e, segundo a Polícia Civil, alegaram que apenas cumpriam ordens e desconheciam a suposta ilegalidade das atividades desenvolvidas no local.
A defesa do empresário contesta a versão apresentada pela investigação. Em nota, o advogado Fábio Henrique Fernandes afirmou que a empresa possui todas as licenças exigidas para funcionamento e que os produtos encontrados não seriam destinados ao consumo humano.
Segundo o defensor, os materiais apreendidos seriam utilizados na fabricação de insumos para ração animal. Ele argumenta que a polícia não teria apurado adequadamente a destinação dos produtos antes de efetuar a prisão.
“O estabelecimento possui tradição na produção de insumos para alimentação animal. Apresentamos todas as justificativas às autoridades, mas elas não foram consideradas”, afirmou o advogado. A defesa informou ainda que pretende solicitar a revogação da prisão preventiva e, se necessário, recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo.
A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar a extensão do esquema, o possível destino das mercadorias e eventuais consumidores ou empresas que possam ter adquirido os produtos adulterados.
Redação ANH/SP







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