Pesquisa do MEC mostra avanço da lei que restringe celulares na educação básica
Desde fevereiro de 2025, é proibido o uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos nas salas de aula, intervalos ou atividades extracurriculares das escolas. Foto: Shutterstock Pesquisa aponta que restrição ao uso de celulares nas escolas reduziu ansiedade, violência e cyberbullying
Quase um ano e meio após a entrada em vigor da lei que restringe o uso de celulares nas escolas, os primeiros impactos positivos da medida já são percebidos pelas instituições de ensino. Pesquisa divulgada nesta terça-feira (30) pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que gestores escolares apontam redução da ansiedade entre os estudantes, queda nos casos de violência e melhora na convivência e na concentração em sala de aula.
O levantamento foi realizado pelo MEC em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Instituto Alana e a Unesco no Brasil.
Segundo o estudo, 55% dos diretores afirmaram que houve diminuição dos conflitos e das agressões físicas nas escolas após a implementação da legislação. Além disso, 88% consideram que a restrição contribuiu para reduzir casos de violência digital e cyberbullying.
A pesquisa também revela que 95% dos gestores acreditam que a medida favoreceu a socialização presencial entre os estudantes, enquanto 67% observaram aumento da participação em atividades manuais, lúdicas e artísticas durante os intervalos.
Outro dado destacado é que 86% dos dirigentes escolares avaliam que a limitação do uso dos aparelhos ajudou a reduzir a ansiedade dos alunos.
Para a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, a escola desempenha um papel que vai além da transmissão de conteúdo.
"A escola não é um lugar apenas para transmissão de conteúdo. Existem dimensões da aprendizagem que são potencializadas pela colaboração, cooperação e convivência. Quando a escola restringe o uso do celular, ela cria oportunidades para que os estudantes desenvolvam habilidades de convivência e interação", afirmou.
Maioria das escolas já adotou a medida
De acordo com a pesquisa, 92% das escolas públicas e privadas já implementaram a lei federal, em vigor desde fevereiro de 2025. A norma proíbe o uso de celulares para fins não pedagógicos na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, abrangendo salas de aula, recreios, intervalos e atividades extracurriculares.
Apesar da proibição do uso, os estudantes continuam autorizados a portar os aparelhos.
O levantamento mostra que:
62% das escolas permitem que o celular permaneça guardado na mochila do estudante;
33% recolhem os aparelhos na secretaria ou recepção antes do início das aulas;
18% armazenam os celulares em armários ou caixas fora da sala de aula.
A permanência do aparelho com o aluno é mais comum no Ensino Médio, onde 75% das escolas adotam esse modelo.
Concentração e participação nas aulas
Entre os gestores entrevistados, 97% afirmaram que a restrição ampliou a participação dos estudantes nas atividades pedagógicas, enquanto 95% observaram melhora na concentração durante as aulas.
Os diretores também apontaram medidas consideradas essenciais para fortalecer a aplicação da lei:
67% defendem maior parceria entre escola e famílias para estabelecer limites ao tempo de tela;
61% consideram necessária a capacitação dos professores em mediação tecnológica, saúde mental e bem-estar;
60% apontam a necessidade de investimentos em áreas de lazer e convivência nas escolas.
Segundo Kátia Schweickardt, o envolvimento das famílias é fundamental para que a política alcance melhores resultados.
Como foi realizada a pesquisa
O levantamento selecionou 8.189 escolas por amostragem probabilística. Foram enviados questionários eletrônicos aos gestores entre 5 de março e 24 de abril deste ano.
Ao todo, 2.469 respostas válidas foram analisadas, representando cerca de 116,6 mil escolas brasileiras, sendo 91,1 mil públicas e 25,5 mil privadas. A pesquisa apresenta 95% de nível de confiança e margem de erro de cinco pontos percentuais.
O que diz a lei
A Lei nº 15.100/2025, regulamentada pelo Decreto nº 12.385/2025, proíbe o uso de celulares para fins pessoais durante as aulas, recreios, intervalos e atividades extracurriculares em toda a educação básica.
O uso dos aparelhos continua permitido em situações específicas, como:
atividades pedagógicas orientadas pelos professores;
recursos de acessibilidade para estudantes com deficiência;
casos de emergência ou necessidades relacionadas à saúde.
No Ceará, já existia uma legislação estadual que proibia o uso de aparelhos eletrônicos durante as aulas desde 2008. A norma federal ampliou a restrição para os intervalos e demais atividades escolares.







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