Polícia desmantela falsa corretora de investimentos e prende 13 suspeitos em Pernambuco
Coletiva da Operação Mirage. Foto: ASCOMPCPE/VitorDutra
Polícia Civil desarticula falsa corretora de investimentos e prende 13 suspeitos em Pernambuco
A Polícia Civil de Pernambuco desarticulou um esquema de fraude financeira que utilizava uma falsa plataforma de investimentos para aplicar golpes milionários em vítimas de diversos estados do país. A ação, realizada durante a Operação Mirage, resultou na prisão em flagrante de 13 pessoas, que tiveram as prisões convertidas em preventivas.
De acordo com as investigações, os suspeitos operavam um call center instalado em um edifício empresarial na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife. A partir do local, convenciam investidores a aplicar grandes quantias na plataforma Aglobal Trade, que, segundo a polícia, não possuía CNPJ e simulava operações financeiras para enganar as vítimas.
As investigações tiveram início em 2024, após uma vítima denunciar um prejuízo superior a R$ 1,5 milhão. Durante a apuração, os policiais identificaram outros casos, incluindo uma pessoa que perdeu cerca de R$ 800 mil.
Segundo a delegada Viviane Arruda, da Delegacia de Repressão ao Estelionato (DRE), o grupo montou uma estrutura sofisticada para dar aparência de legalidade aos investimentos. As vítimas recebiam login e senha para acessar uma plataforma com gráficos, rendimentos e movimentações semelhantes às de aplicações em criptomoedas, bolsa de valores e outros ativos financeiros.
Apesar da aparência profissional, todo o sistema era fictício e não possuía qualquer ligação com o mercado financeiro. O objetivo era convencer os investidores a continuar realizando depósitos.
Durante o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão, os policiais encontraram os suspeitos em plena atividade. No escritório foram apreendidos computadores, notebooks, celulares e outros equipamentos eletrônicos que passarão por perícia.
A investigação revelou que o local funcionava como uma empresa, embora não possuísse identificação, documentação comercial ou contratos que comprovassem atividade regular. A sala contava com isolamento acústico e um quadro com metas mensais de arrecadação. Segundo a polícia, o grupo pretendia arrecadar US$ 800 mil por mês, valor equivalente a aproximadamente R$ 4 milhões, por meio dos golpes.
Os investigadores também localizaram roteiros utilizados pelos operadores para conquistar a confiança das vítimas. As anotações orientavam os funcionários a conversar sobre assuntos do cotidiano e temas internacionais, como a guerra na Ucrânia, para criar proximidade antes de apresentar as falsas oportunidades de investimento.
Outra estratégia identificada era a liberação de pequenos resgates para transmitir credibilidade. Após os primeiros saques, as vítimas eram incentivadas a investir valores ainda maiores. Quando tentavam retirar quantias mais elevadas, eram informadas de que precisariam fazer novos depósitos ou de que haviam perdido o dinheiro por supostos erros na plataforma.
Segundo a Polícia Civil, a falsa corretora acumulava dezenas de boletins de ocorrência em diferentes estados e diversas reclamações na internet. Sempre que uma plataforma passava a ser alvo de denúncias, os criminosos criavam um novo site para dar continuidade às fraudes.
Durante a operação, os investigadores também encontraram documentos indicando que parte da estrutura criminosa poderia ser transferida para o México. A polícia apreendeu comprovantes de reservas de passagens e hospedagem que reforçam essa suspeita.
As investigações continuam para identificar os líderes da organização criminosa e localizar outros envolvidos. A expectativa da Polícia Civil é que novas vítimas procurem as autoridades após a divulgação da Operação Mirage.






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