SUS pode oferecer PrEP injetável contra o HIV ainda em 2026
Ministro Alexandre Padilha afirmou que o governo está negociando com a farmacêutica GSK, produtora do cabontegravir. (FERNANDO FRAZÃO) SUS pode oferecer PrEP injetável contra o HIV ainda este ano; pedido será analisado pela Conitec
O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá disponibilizar ainda este ano uma nova alternativa para a prevenção do HIV: a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável. O Ministério da Saúde vai encaminhar, na próxima semana, o pedido de incorporação do medicamento cabotegravir à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar a inclusão de novos tratamentos na rede pública.
O cabotegravir é um medicamento de ação prolongada que impede a replicação do vírus HIV e é administrado por injeção a cada dois meses, oferecendo uma alternativa à PrEP oral, atualmente disponível no SUS e que exige o uso diário de comprimidos.
A Conitec analisará critérios como eficácia, segurança e custo-benefício antes de emitir uma recomendação. A decisão final, no entanto, caberá ao Ministério da Saúde.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo negocia com a farmacêutica GSK, fabricante do cabotegravir, o preço final do medicamento e a quantidade de doses que serão adquiridas. De acordo com o ministro, a empresa apresentou uma proposta considerada compatível com a capacidade de investimento do sistema público.
Padilha destacou que o governo apoia o acesso às novas tecnologias de prevenção, desde que elas sejam oferecidas a preços viáveis para os sistemas nacionais de saúde.
Lenacapavir ficou de fora
O ministro também explicou que outro medicamento de longa duração, o lenacapavir, foi descartado neste momento devido ao alto custo. O medicamento oferece proteção contra o HIV por até seis meses, mas, segundo Padilha, a proposta comercial apresentada pela fabricante foi considerada inviável.
O Brasil participou dos estudos clínicos do lenacapavir, porém ficou de fora do acordo de licenciamento voluntário firmado pela farmacêutica Gilead para a produção de versões genéricas destinadas a 120 países. A exclusão foi criticada por representantes da Conferência Internacional de Aids e pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), que defendem a ampliação do acesso global ao medicamento.
Em nota, a Gilead afirmou que busca alternativas sustentáveis para ampliar o acesso ao lenacapavir no Brasil e informou ter firmado um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para avaliar futuras oportunidades de transferência de tecnologia e fabricação no país.
Maior adesão ao tratamento
Atualmente, o SUS já oferece gratuitamente a PrEP oral, utilizada por mais de 350 mil pessoas em todo o país. A principal vantagem da versão injetável é facilitar a adesão ao tratamento, já que elimina a necessidade do uso diário dos comprimidos.
Um estudo realizado pela Fiocruz com 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras mostrou que 83% preferiram a aplicação injetável. Além disso, 94% compareceram às unidades de saúde para receber as doses dentro do prazo recomendado, mantendo a proteção contra o HIV durante todo o acompanhamento. Nenhum participante foi infectado.
Outro estudo, divulgado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK, apontou taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1% entre usuários do cabotegravir, reforçando a alta eficácia da estratégia de prevenção.
Redação ANH/DF






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