Casarões centenários de Olinda seguem sem previsão de reabertura
Cada casa tem nome de uma das filhas do ex-morador. Foto: Weslly Gomes/DP Foto Chalés do Carmo seguem sem previsão de restauração e de implantação do Centro de Difusão do Carnaval em Olinda
Os históricos Chalés do Carmo, localizados na Avenida Sigismundo Gonçalves, no Sítio Histórico de Olinda, continuam sem previsão para receber o Centro de Difusão do Carnaval, projeto anunciado pelo Governo de Pernambuco há um ano. Apesar do avanço na elaboração dos projetos técnicos de restauração, ainda não há cronograma para o início das obras ou para a entrega do equipamento cultural.
Construído no século XIX, o conjunto arquitetônico é formado por quatro chalés geminados que representam um importante exemplar da arquitetura eclética luso-brasileira. Tombados como patrimônio histórico, os imóveis enfrentam anos de abandono, desgaste provocado pela ação do tempo e furtos de elementos estruturais e decorativos.
De acordo com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), os imóveis foram desapropriados pelo Estado em 1977 e estão oficialmente sem utilização desde 2011, quando sediaram uma edição da CasaCor Pernambuco. Moradores da região, no entanto, afirmam que o espaço é utilizado temporariamente durante o Carnaval como ponto de coleta de materiais recicláveis recolhidos na cidade.
Projetos seguem em elaboração
O projeto de recuperação dos chalés teve a licitação para elaboração dos estudos de arquitetura e engenharia concluída em setembro de 2025. Segundo a Fundarpe, os projetos deverão ser finalizados até o fim deste ano.
A etapa conta com investimento de R$ 391.337,57, viabilizado por meio do PAC Seleções, em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Entretanto, o governo estadual ainda não divulgou o valor total necessário para a execução das obras nem estabeleceu uma data para lançamento do edital de restauração.
A proposta prevê intervenções voltadas à acessibilidade, climatização e tratamento acústico dos imóveis, que deverão abrigar uma unidade do Conservatório Pernambucano de Música dedicada à difusão do Carnaval pernambucano. O projeto também contempla a criação de um espaço museográfico entre os chalés para preservar a memória do conjunto arquitetônico e da instituição.

Moradores criticam abandono
A situação dos chalés preocupa moradores e comerciantes da região, que convivem há anos com o cenário de deterioração do patrimônio.
A nutricionista Mônica de Paula Machado afirma que o abandono trouxe insegurança para quem vive nas proximidades.
Segundo ela, os imóveis deixaram de receber visitantes e passaram a ser alvo de invasões e furtos, comprometendo a preservação do patrimônio histórico.
O empresário Fernando Ribeiro, proprietário de um estabelecimento ao lado dos casarões, considera que a demora na recuperação prejudica toda a área histórica de Olinda. Para ele, a revitalização do espaço beneficiaria moradores, comerciantes e o turismo local.
Patrimônio perdeu elementos históricos
Morador da região desde a infância, o pescador Fernando Antônio lembra que os chalés já tiveram diversas funções ao longo das últimas décadas, abrigando colégio, pensão, fórum e serviços públicos.
Ele relata que, durante o período de abandono, portas, janelas e outros elementos arquitetônicos foram retirados por invasores, provocando a descaracterização dos imóveis. Atualmente, o complexo conta com vigilância permanente para evitar novas ocorrências.
Enquanto os projetos técnicos seguem em desenvolvimento, os Chalés do Carmo permanecem fechados e sem previsão de restauração, mantendo um dos mais tradicionais patrimônios históricos de Olinda à espera de investimentos que permitam sua recuperação e devolução à população.
Redação ANH/PE







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