PF investiga pagamento de lobista a ex-chefe de gabinete de Lula
"Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade". (Reprodução / Redes Sociai) Ex-chefe de gabinete de Lula admite pagamento de lobista investigada pela PF, mas diz que valor foi empréstimo
O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, confirmou ter recebido um pagamento da lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência no governo federal. Em nota divulgada nesta terça-feira (4), o ex-assessor afirmou que o valor correspondia a um empréstimo pessoal, já quitado, e negou qualquer irregularidade.
Marco Aurélio, conhecido como Marcola, deixou o cargo no Palácio do Planalto no último dia 21 de julho para integrar a equipe da campanha à reeleição do presidente Lula.
A movimentação financeira foi mencionada pela Polícia Federal no pedido de abertura de um inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde e ao Palácio do Planalto.
Uma das linhas de investigação busca esclarecer se o pagamento recebido por Marco Aurélio teria relação com uma suposta vantagem indevida para facilitar o acesso da lobista a integrantes do governo.
Em nota, o ex-chefe de gabinete afirmou ter recebido "com surpresa" a divulgação do caso e reiterou que a operação teve caráter exclusivamente pessoal.
"Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função", declarou.
PF investiga atuação de lobista
As investigações apontam que Roberta Luchsinger teria atuado ao lado do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", com o objetivo de abrir portas no governo federal para prospectar negócios.
Mensagens obtidas durante a investigação indicam que a atuação teria alcançado órgãos como o Ministério da Saúde e o Palácio do Planalto. A Polícia Federal apura se essas articulações contaram com o apoio de Lulinha, que, segundo a investigação, teve uma viagem a Portugal custeada pelo empresário para conhecer um projeto de cannabis medicinal.
Também segundo as apurações, Roberta Luchsinger realizou mais de 40 visitas a órgãos do governo federal entre 2023 e 2025, muitas delas sem registro nas agendas oficiais das autoridades. Entre os locais visitados estão a então Secretaria de Relações Institucionais, comandada por Alexandre Padilha, e o Ministério da Saúde.
Inquéritos tramitam no STF
A Polícia Federal já instaurou dois inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência. Um deles investiga possíveis irregularidades envolvendo o Ministério da Saúde e o Palácio do Planalto, enquanto o outro apura negócios relacionados à Dataprev.
Os dois procedimentos foram distribuídos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Um terceiro pedido de investigação, relacionado a outra área do governo federal, foi encaminhado ao STF e distribuído ao ministro Flávio Dino, que ainda deverá decidir sobre a abertura do inquérito.
Após a divulgação do caso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, cobrou esclarecimentos sobre os pagamentos feitos por Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete de Lula. Até o momento, não há decisão judicial que impute responsabilidade aos investigados, e as apurações seguem em andamento.
Redação ANH







COMENTÁRIOS