Inadimplência avança em Natal e acende alerta para o consumo
Apesar do recuo de 82% em julho, o endividamento envolve 232 mil famílias natalenses, de acordo com a nova pesquisa do Instituto Fecomércio do RN. Foto: Magnific O endividamento alcançou 82% das famílias de Natal em julho, percentual que acompanha a média das capitais brasileiras e fica abaixo do patamar registrado no Nordeste. O cenário na capital potiguar combina redução do endividamento com movimentos distintos na inadimplência: na comparação com julho de 2025, houve melhora, mas o número de famílias com contas em atraso aumentou significativamente em relação ao mês anterior.
Para o Instituto Fecomércio RN, a redução do endividamento representa um sinal favorável diante de um cenário de crédito ainda caro. A taxa básica de juros permanece elevada, apesar do início do ciclo de redução promovido pelo Banco Central, mantendo altos os custos de empréstimos, financiamentos, parcelamentos e renegociações.
Apesar da queda, o índice de 82% mostra que mais de oito em cada dez famílias natalenses possuem algum compromisso financeiro. Quando uma parcela significativa da renda é destinada ao pagamento de prestações e faturas, o orçamento disponível para novas compras diminui, com possíveis impactos sobre o comércio e o setor de serviços.
Entre as modalidades de crédito mais utilizadas pelas famílias de Natal estão o cartão de crédito, os carnês e o crédito consignado. A concentração no cartão aumenta a exposição aos juros elevados quando a fatura não é paga integralmente. Já os carnês estão associados principalmente ao consumo no varejo, enquanto o consignado compromete parte da renda futura.
A pesquisa também aponta que 36% dos entrevistados consideram o próprio nível de endividamento moderado ou elevado. O resultado indica que uma parcela dos consumidores percebe pressão dos compromissos financeiros sobre o orçamento, mesmo quando ainda consegue manter os pagamentos em dia.
No cenário nacional, o endividamento também atingiu 82% das famílias em julho, o maior nível da série histórica iniciada em 2015. A renda comprometida com dívidas chegou, em média, a 29,5%, enquanto o tempo médio dos compromissos financeiros ficou em 7,2 meses. Os indicadores ajudam a explicar a perda de ritmo observada em segmentos do varejo dependentes de crédito.
Inadimplência recua na comparação anual
Em Natal, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso ficou em 34,1% em julho. O índice representa uma redução de seis pontos percentuais em relação aos 40,1% registrados no mesmo mês de 2025 e corresponde ao menor nível para julho desde 2019.
Segundo o Instituto Fecomércio RN, a comparação anual indica que os consumidores têm buscado regularizar pendências e reorganizar o orçamento. Renegociações, parcelamentos e acordos com credores podem ter contribuído para a redução observada ao longo dos últimos 12 meses.
Apesar da melhora, a inadimplência em Natal permaneceu acima das médias nacional e regional. Entre as capitais brasileiras, o índice foi de 29,8%, enquanto no Nordeste chegou a 31,2%. A capital potiguar ficou 4,3 pontos percentuais acima da média das capitais e 2,9 pontos acima do índice regional.
O endividamento, por si só, não significa necessariamente dificuldade financeira. O comprometimento pode ser administrado quando as parcelas são compatíveis com a renda e permanecem em dia. Já o atraso pode gerar juros, restrições cadastrais e redução do acesso a novas operações de crédito.
No Brasil, a proporção de famílias com contas atrasadas recuou de 29,9% para 29,8% em julho. O tempo médio de atraso também caiu pelo terceiro mês consecutivo, chegando a 64,6 dias, o menor patamar desde dezembro de 2025.
A redução dos atrasos acompanha o movimento de renegociação de dívidas. No país, a parcela de consumidores com pendências superiores a 90 dias caiu para 48,5%, o que pode facilitar a recuperação da capacidade de pagamento e reduzir o acúmulo de encargos.
Alta mensal preocupa
Apesar do recuo na comparação anual, a evolução mensal da inadimplência em Natal acende um sinal de atenção. O percentual de famílias com contas atrasadas passou de 23,2% em junho para 34,1% em julho, uma alta de 10,9 pontos percentuais em apenas um mês.
O resultado mostra que a melhora observada em 12 meses ainda não representa uma trajetória contínua. Embora o índice permaneça abaixo do registrado em julho de 2025, o avanço mensal indica que uma parcela relevante das famílias voltou a enfrentar dificuldades para cumprir os vencimentos.
O movimento pode afetar o consumo nos meses seguintes, principalmente em segmentos que dependem de parcelamentos e financiamentos. Consumidores inadimplentes tendem a reduzir compras não prioritárias, enquanto empresas e instituições financeiras podem adotar critérios mais rigorosos para a concessão de crédito.
Para o comércio, a combinação de juros elevados, endividamento disseminado e aumento mensal da inadimplência limita o espaço para uma expansão mais acelerada das vendas. O impacto tende a ser maior em produtos de maior valor, como eletrodomésticos, móveis e veículos, que frequentemente dependem de financiamento.
A situação das famílias de menor renda exige atenção adicional. No Brasil, 84,9% dos lares com renda de até três salários mínimos estavam endividados em julho, enquanto 38,5% tinham contas em atraso. Nesse grupo, 17,8% afirmaram não ter condições de quitar as pendências.
Os dados de Natal mostram, portanto, uma melhora anual no endividamento e na inadimplência, mas também revelam instabilidade no curto prazo. O aumento expressivo das contas atrasadas entre junho e julho reforça a importância do comportamento dos juros e do crédito para a evolução do consumo e do comércio da capital nos próximos meses.
Redação ANH/RN








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