Avalanche destrói povoados e deixa mais de 1.300 desaparecidos no Nepal
Moradores observam prédios e ruas submersos pela lama após inundações repentinas e um desastre causado por deslizamento de terra no Nepal. (PRAKASH MATHEMA / AFP) Avalanche no Nepal deixa pelo menos 362 mortos e mais de 1.300 desaparecidos
Uma avalanche de água e lama provocada pelo colapso de uma geleira deixou pelo menos 362 mortos e mais de 1.300 desaparecidos no Nepal e na região do Tibete, na China. O desastre ocorreu na quarta-feira e atingiu áreas próximas à fronteira entre os dois países.
Segundo um balanço atualizado pela polícia nepalesa, 359 pessoas morreram no Nepal. A imprensa estatal chinesa informou outras três mortes em território chinês.
A força da avalanche foi tamanha que o fenômeno chegou a ser registrado como um evento sísmico de magnitude 5,2, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
No Nepal, a enxurrada atingiu o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, a leste da capital. A força da água e da lama destruiu casas, áreas comerciais e outras estruturas, além de soterrar os andares inferiores de prédios.
As equipes de resgate enfrentavam dificuldades nesta quinta-feira (27) para avançar entre a lama e os escombros em busca de sobreviventes. O Exército nepalês realizou sobrevoos nas regiões afetadas e conseguiu resgatar dezenas de pessoas. Moradores de áreas consideradas de risco também foram orientados a deixar suas casas.
De acordo com David Fisher, diretor da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) no Nepal, a dimensão da destruição é preocupante. Segundo ele, povoados inteiros e áreas de mercado foram destruídos.
Risco de uma nova inundação
Especialistas alertam ainda para o risco de uma nova inundação. Um bloqueio permanece na parte alta de um rio localizado na região fronteiriça entre Nepal e China, o que pode provocar o transbordamento e uma nova onda de água.
"Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que pode acontecer uma segunda inundação", afirmou Qianggong Zhang, diretor de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD).
Vídeos divulgados pela polícia nepalesa mostram a água avançando pelos rios e destruindo casas inteiras. Em algumas áreas, apenas os andares superiores de imóveis permanecem visíveis acima da lama.
O presidente da China, Xi Jinping, pediu que as equipes façam todos os esforços para localizar e resgatar os desaparecidos. O governo dos Estados Unidos anunciou uma ajuda de US$ 500 mil, equivalente a cerca de R$ 2,5 milhões.
O Dalai Lama também se manifestou sobre a tragédia nesta quinta-feira e afirmou que reza pelas vítimas, além de pedir medidas de auxílio às populações atingidas.
As chuvas de monção, que atingem o sul da Ásia entre junho e setembro, são responsáveis por inundações e deslizamentos de terra frequentes e, muitas vezes, fatais. Cientistas alertam que as mudanças climáticas vêm aumentando a intensidade e a frequência de eventos meteorológicos extremos na região.
Redação ANH







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