Brasil fica fora de acordo sul-americano sobre minerais estratégicos
Parque eólico: a expansão das renováveis no RN depende de cadeias de armazenamento e transmissão que usam cobre e lítio. Foto: Ricardo Botelho/MME Chile, Argentina, Bolívia e Peru firmam acordo para fortalecer cooperação em minerais estratégicos
Chile, Argentina, Bolívia e Peru assinaram, na sexta-feira (28), em Santiago, uma declaração conjunta para ampliar a cooperação na área de minerais estratégicos. Os quatro países possuem reservas importantes de cobre e lítio, matérias-primas consideradas essenciais para a produção de baterias, redes elétricas e veículos associados à transição energética.
O acordo prevê a coordenação de ações para atrair investimentos, ampliar pesquisas e fortalecer a posição da América do Sul como fornecedora confiável de minerais estratégicos. Os governos também pretendem buscar apoio técnico e financeiro de organismos multilaterais e incentivar parcerias entre o setor público e a iniciativa privada em áreas como inovação e qualificação profissional.
A iniciativa ocorre em meio à disputa global pelo controle das cadeias de produção ligadas à energia limpa. Estados Unidos, China e União Europeia têm buscado garantir acesso a minerais considerados fundamentais para setores industriais, tecnológicos e de defesa. Ao atuar de forma conjunta, os quatro países ampliam o poder de negociação diante de investidores e compradores internacionais.
O Brasil não participou da declaração. A ausência ocorre enquanto o país busca ampliar o processamento interno de seus recursos minerais e agregar valor à produção nacional. O novo bloco pode disputar investimentos, tecnologia e mercados, mas também poderá abrir espaço para futuras parcerias regionais.
Para o Nordeste brasileiro, o movimento ganha relevância diante da expansão das fontes de energia eólica e solar, que demanda investimentos em armazenamento, transmissão e equipamentos produzidos com minerais como cobre e lítio.
O Rio Grande do Norte, um dos principais polos de geração de energia eólica do país, tem interesse direto no desenvolvimento dessas cadeias industriais. A região também pode se beneficiar da demanda por pesquisa, qualificação profissional e desenvolvimento tecnológico relacionados à transição energética.
A declaração foi noticiada na edição desta segunda-feira (31) do jornal O Correio de Hoje. Em agosto, o Rio Grande do Norte também sediou debates sobre minerais críticos e terras raras.
Redação ANH






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