Com prejuízo crescente, Correios terão reforço bilionário do governo
Edifício sede dos Correios. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom Governo prevê aporte de R$ 6 bilhões nos Correios em 2027
O governo federal deverá prever um aporte de R$ 6 bilhões para os Correios em 2027. O valor será incluído no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31), como parte do acordo de financiamento firmado pela estatal no fim de 2025 e do plano de reestruturação da empresa.
A previsão foi confirmada em nota conjunta dos ministérios das Comunicações, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e do Planejamento e Orçamento. O recurso está relacionado às condições estabelecidas no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões contratado pelos Correios com cinco bancos em dezembro do ano passado.
Pelo acordo, a União deverá injetar pelo menos R$ 6 bilhões na estatal para apoiar a execução do plano de reequilíbrio financeiro. O contrato determina que o recurso esteja disponível até o fim de 2027, mas permite que o governo defina quando e como o dinheiro será repassado.
A inclusão do valor no orçamento, portanto, não significa que os R$ 6 bilhões serão transferidos de uma só vez no início do próximo ano.
O empréstimo foi contratado com garantia do Tesouro Nacional. Caso os Correios não consigam cumprir as obrigações financeiras, a União poderá ser acionada para honrar a dívida junto aos bancos credores.
Prejuízo de R$ 5,5 bilhões no semestre
A previsão de aporte ocorre em meio à grave situação financeira dos Correios. A estatal registrou prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026 e acumulou resultado negativo de R$ 5,5 bilhões entre janeiro e junho.
Apesar de o prejuízo trimestral ter recuado 5,5% em relação ao mesmo período de 2025, o resultado acumulado no primeiro semestre cresceu 30,4%.
Entre janeiro e junho, os Correios registraram receita de R$ 7,9 bilhões e margem bruta de R$ 274,5 milhões. As despesas com pessoal caíram 4,2%, gerando uma economia de R$ 233,7 milhões.
No período, 6.545 empregados foram desligados por meio do Programa de Demissão Voluntária (PDV), sendo 2.767 somente no primeiro semestre.
Plano de reestruturação
Para tentar recuperar a situação financeira, os Correios adotaram uma série de medidas, incluindo redução de custos, venda de imóveis ociosos, renegociação de contratos, mudanças na jornada de trabalho, alterações nos planos de saúde, retorno ao trabalho presencial e criação de um marketplace próprio.
A empresa também informou ter economizado R$ 322 milhões com a regularização de passivos vencidos e quitado antecipadamente R$ 1,8 bilhão em dívida bancária.
Os custos dos serviços somaram R$ 7,6 bilhões no primeiro semestre, 14% abaixo do previsto no orçamento para o período. O Ebitda, indicador utilizado para avaliar o desempenho operacional, ficou em R$ 910 milhões, resultado 18% superior ao projetado.
Mesmo com os avanços operacionais, os Correios ainda enfrentam queda nas receitas dos serviços postais tradicionais, aumento dos custos, passivos judiciais e maior concorrência no setor de logística.
Dívida de R$ 12 bilhões
O empréstimo de R$ 12 bilhões foi contratado com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander, com garantia da União.
A estatal também conseguiu alongar parte de sua dívida, ampliando o prazo de determinadas operações de 18 para 180 meses. Além disso, negocia uma nova operação de crédito de aproximadamente R$ 7 bilhões, também com aval do governo federal.
O contrato de financiamento prevê consequências caso o aporte mínimo de R$ 6 bilhões não seja realizado. Nesse cenário, os bancos poderão exigir o vencimento antecipado da dívida, o que poderia levar à necessidade de a União quitar os R$ 12 bilhões, além dos encargos previstos.
Em maio, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o governo adotasse medidas para garantir o cumprimento da obrigação dentro do prazo estabelecido.
Redação ANH






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