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Maceió,01/10/2026

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Ceará registra R$ 689 milhões em operações de fusão e aquisição em 2026

Assessoria
Ceará registra R$ 689 milhões em operações de fusão e aquisição em 2026 No Ceará, a Eneva vendeu 100% da Pecém II Geração de Energia para a Diamante Geração de Energia. Foto: PeopleImages / Shutterstock

Empresas do Ceará movimentaram cerca de R$ 689 milhões em operações de fusão e aquisição no primeiro semestre de 2026. O valor representa um crescimento de 25% em relação aos R$ 549,6 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar do aumento no volume financeiro, o número de transações caiu 40%. Foram seis operações realizadas entre janeiro e junho deste ano, contra dez no primeiro semestre de 2025. Os dados fazem parte de um levantamento da KPMG que acompanha operações em 43 setores da economia brasileira.

Entre os segmentos que registraram negócios no Ceará estão tecnologia, mídia e telecomunicações, com duas operações, além de imobiliário, mineração, energia e consumo, com uma transação cada.

Segundo Paulo Guilherme Coimbra, coordenador do estudo da KPMG, os números indicam que os investidores estão mais seletivos na definição dos negócios e priorizando operações de maior porte.

“As maiores operações do semestre demonstram a continuidade do interesse de investidores por ativos estratégicos em setores considerados fundamentais para a economia, como mineração, serviços financeiros e energia”, afirmou.

De acordo com Coimbra, o movimento observado no Ceará acompanha uma tendência registrada em outras regiões do país. Entre os fatores que podem ter contribuído para a redução do número de transações estão a incerteza fiscal em um ano eleitoral, os juros ainda restritivos, o alongamento dos ciclos de negociação e as dificuldades no cenário externo.

Apesar da queda na quantidade de negócios, o crescimento do valor movimentado no Ceará ficou acima do registrado no mercado brasileiro. No país, as operações de fusões e aquisições movimentaram R$ 195 bilhões no primeiro semestre, alta de 22% em relação ao mesmo período de 2025.

O Ceará respondeu por cerca de 0,3% do montante movimentado nacionalmente.

Impactos para as empresas

As operações de fusão e aquisição podem permitir que empresas ampliem a participação de mercado, diversifiquem produtos, ganhem escala e acelerem o crescimento. Entre as motivações apontadas pela KPMG estão a captura de sinergias, a revisão de portfólio, o fortalecimento da posição competitiva e a expansão diante de concorrentes.

Por outro lado, os processos também envolvem riscos, como diferenças culturais entre empresas, especialmente em negócios com participação estrangeira, além da possibilidade de identificação de passivos trabalhistas e fiscais após a conclusão das operações.

Outro movimento que vem ganhando espaço é o chamado desinvestimento, quando empresas vendem ativos, unidades de negócios, participações acionárias ou outros bens. A estratégia pode ser utilizada para gerar caixa, reduzir dívidas, reorganizar operações e concentrar recursos em áreas consideradas prioritárias.

Mineração ganha destaque

A mineração esteve entre os setores de maior destaque no Nordeste no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, as operações envolvendo empresas do segmento movimentaram R$ 28,5 bilhões na região, alta de 6,4% em comparação com o mesmo período de 2025. O número de transações passou de duas para três.

Para Célio Fernando Melo, presidente da Academia Cearense de Economia, os dados apontam para um interesse crescente por minerais críticos e terras raras.

Segundo o economista, esse movimento estaria relacionado ao baixo custo de produção e ao menor risco geopolítico associado à região. Ele, porém, ressalta que o levantamento não permite concluir se os investimentos resultarão em maior agregação de valor no Nordeste ou se a região continuará concentrada na exportação de matérias-primas.

Perspectivas para o segundo semestre

A avaliação da KPMG é de que o mercado brasileiro de fusões e aquisições deve continuar marcado pela seletividade e pela busca por maior eficiência na utilização do capital.

A expectativa é de que investidores mantenham o foco em ativos considerados estratégicos e que as empresas também ampliem operações de desinvestimento para gerar liquidez, reduzir dívidas e concentrar recursos em áreas prioritárias.

O economista Célio Fernando Melo avalia que a redução dos juros pode contribuir para melhorar o ambiente de negócios, mas considera que o efeito ainda deve ser gradual.

“O alívio monetário é real, porém gradual demais para destravar volume de transações ainda em 2026. O cenário provável é o que o próprio semestre desenhou, número contido de operações e valor concentrado em poucos negócios de grande porte”, afirmou.

Negócios realizados no Ceará

Embora o levantamento da KPMG não identifique todas as empresas envolvidas nas operações, alguns negócios realizados no primeiro semestre foram apurados pelo Diário do Nordeste.

Entre eles está a venda de 100% da Pecém II Geração de Energia pela Eneva para a Diamante Geração de Energia, em uma operação anunciada no valor de R$ 686 milhões.

A Victoria Mining Corporation também adquiriu uma participação de 50% na Pedreira Taj Mahal, localizada em Uruoca, no Ceará, por R$ 3 milhões.

Outro negócio envolveu o BTG Pactual, que assinou acordo para adquirir uma participação de 48% na empresa MeuTudo. O valor da operação não foi divulgado.

A Goldman Sachs Asset Management, por sua vez, vendeu integralmente sua participação de 10% na empresa, enquanto a DOMO.VC realizou um desinvestimento parcial e permaneceu como acionista minoritária. Os valores da operação não foram divulgados.

Também houve a aquisição do portfólio de clientes da Online Telecom pelo Grupo Zaaz, subsidiária do Grupo Werthein. O valor do negócio não foi informado.

Redação ANH/CE




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