RN é o único estado do Nordeste com alta na produção industrial em agosto
RN foi o único Estado do Nordeste a registrar alta e indústria têxtil vive realidade à parte, com crescimento de 33%. Foto: José Aldenir
A produção industrial do Rio Grande do Norte registrou crescimento de 0,1% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado, interrompendo uma sequência de dez meses consecutivos de resultados negativos. Apesar da reação, o Estado acumulou retração de 10,7% entre janeiro e agosto, o pior desempenho entre os locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8), pela Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional. Com o resultado de agosto, o Rio Grande do Norte ficou na sexta posição entre os 17 estados pesquisados e foi o único do Nordeste a apresentar variação positiva no período.
A alta foi impulsionada principalmente pela indústria de confecção de artigos do vestuário e acessórios, cuja produção cresceu 33% em relação a agosto de 2025. A indústria extrativa também apresentou resultado positivo, com avanço de 2,3%.
Por outro lado, a fabricação de produtos alimentícios recuou 12,1%, enquanto a produção de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis apresentou queda de 5%. As perdas nesses segmentos continuam pressionando o desempenho geral da indústria potiguar.
O resultado estadual ocorreu em um cenário de retração da atividade industrial brasileira. Em agosto, a produção nacional caiu 1,2% na comparação anual. Houve redução em 12 dos 18 locais acompanhados pelo levantamento, incluindo o Nordeste como região.
Petróleo e alimentos pressionam a indústria potiguar
No acumulado de janeiro a agosto, a principal pressão negativa veio da fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que registrou queda de 21,6% em relação ao mesmo período de 2025.
A fabricação de produtos alimentícios recuou 6,6%, enquanto as indústrias extrativas tiveram redução de 1,4%. Entre as atividades pesquisadas no Estado, apenas a confecção de artigos do vestuário e acessórios apresentou crescimento no período, com expansão de 41,5%.
O desempenho do setor de vestuário contrasta com o cenário dos demais segmentos. Embora tenha registrado crescimento expressivo, a atividade não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas nas áreas de petróleo, biocombustíveis e alimentos.
A diferença entre os resultados também evidencia que o avanço de um segmento específico não significa, necessariamente, recuperação do conjunto da indústria, já que cada atividade tem peso diferente no cálculo do indicador.
Indústria do RN acumula queda de 8,1% em 12 meses
No indicador acumulado em 12 meses até agosto, a produção industrial do Rio Grande do Norte apresentou retração de 8,1%, sinalizando que as dificuldades do setor se estendem para além dos primeiros meses de 2026.
Nesse intervalo, a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis registrou queda de 19,6%, enquanto a produção de alimentos recuou 3,6%.
Em sentido contrário, a confecção de artigos do vestuário e acessórios acumulou crescimento de 55,1% em 12 meses. A indústria extrativa também apresentou variação positiva, de 0,8%.
Os números da pesquisa do IBGE mostram que a alta registrada em agosto interrompeu a sequência de resultados negativos na comparação anual, mas ainda não representa uma recuperação generalizada da atividade industrial potiguar. A reversão das perdas acumuladas dependerá do desempenho dos próximos meses e de uma melhora mais ampla entre os principais segmentos produtivos.








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