Espetáculo no Recife questiona estereótipos sobre o Nordeste
"A Invenção do Nordeste" investiga a origem dos estereótipos associados à região. (Foto: Carlos Gomes) Espetáculo “A Invenção do Nordeste” questiona estereótipos sobre a região no Recife
O espetáculo “A Invenção do Nordeste”, do Grupo Carmin, do Rio Grande do Norte, estreia nesta quinta-feira (15) na CAIXA Cultural Recife, com uma proposta de provocar reflexões sobre os preconceitos históricos e os estereótipos associados à região Nordeste. A temporada segue até 24 de outubro, com apresentações de quinta-feira a sábado, sempre às 19h30.
Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). As vendas são realizadas pelo site da CAIXA Cultural Recife, com reabertura prevista para esta sexta-feira (16), ao meio-dia.
Com humor e reflexão, a peça acompanha dois atores nordestinos que participam de uma seleção para uma grande produção nacional. Durante o processo, eles se deparam com exigências absurdas do mercado audiovisual, que os desafia a demonstrar que são “os mais nordestinos possível”.
A trama questiona a forma como a região é representada culturalmente e como sua diversidade acaba reduzida a imagens recorrentes, como o sertanejo e o cangaço. A proposta é mostrar que, embora esses elementos façam parte da identidade nordestina, eles não representam a totalidade de sua cultura.
A atriz e diretora Quitéria Kelly destaca que, apesar de o Nordeste ser formado por nove estados, a região ainda é retratada de maneira limitada. Desde a estreia, em 2017, o espetáculo vem sendo atualizado a partir das observações feitas pelo grupo nos diferentes lugares por onde passou.
Inspirada também nos estudos do historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, a montagem aborda a influência da literatura e do cinema na construção e na perpetuação de estereótipos sobre o Nordeste, incluindo representações históricas do sertanejo.
Para Quitéria, a arte tem um papel fundamental tanto na disseminação dessas imagens quanto na possibilidade de transformá-las. A diretora cita o cinema pernambucano como exemplo de produção que apresenta a região para além dos clichês e estabelece conexões com questões que ultrapassam as fronteiras locais.
A peça defende uma visão mais ampla do Nordeste, sem o olhar de pena e as representações limitadas que historicamente marcaram a imagem da região no restante do país.








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