Projeto do VLT no Recife avança e promete unir transporte, turismo e preservação cultural
Recife pode ganhar VLT em antigo traçado ferroviário até o Porto. Foto: Marina Torres/DP Governo federal avalia implantar VLT no Recife e integrar transporte à requalificação urbana
O governo federal estuda retomar o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no Recife, que prevê três trechos: o Eixo Boa Viagem, a Linha Forte do Brum–Olinda e a Linha Largo da Paz–Forte do Brum. Este último, elaborado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), é considerado o mais viável de ser implantado no curto prazo por aproveitar parte da malha ferroviária desativada que, até poucos anos atrás, era usada por trens a diesel que chegavam ao Porto do Recife.
O trajeto Largo da Paz–Forte do Brum terá dez paradas, com distância média de 400 metros entre cada uma, o que garantirá maior capilaridade e facilidade de acesso para pedestres. Além disso, a linha se conectará à Linha Sul do Metrô, fortalecendo a integração do transporte público metropolitano.
Modal adequado para área histórica
A proposta é defendida por técnicos e urbanistas como a solução mais adequada para a região central e o Recife Antigo, onde estão concentrados sítios históricos, pontos turísticos e novos empreendimentos imobiliários. O VLT, por ser elétrico e de menor impacto visual, é considerado compatível com a preservação do patrimônio arquitetônico.
“Durante as consultas públicas, ficou claro que o VLT é o modal mais aceito para o Recife Antigo. O estudo já aponta essa definição como consolidada”, afirmou Luciene Machado, superintendente de Soluções para Cidades do BNDES, instituição que coordena o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU).
Além da preservação histórica, o projeto prevê integração com novos polos de desenvolvimento da capital, como o Novotel Recife Marina, o Recife Expo Center e os projetos habitacionais e comerciais do Cais José Estelita, a exemplo do Moinho Business e do Novo Recife.
Modelo sustentável e de baixo impacto visual
Segundo a superintendente da CBTU no Recife, Marcela Campos, o VLT será equipado com tecnologia moderna. Os veículos terão tração elétrica por baterias, eliminando a necessidade de rede aérea de energia (catenária), o que evita interferências na paisagem urbana. Outro diferencial é a ausência de grandes estações: os passageiros utilizarão pontos de parada simplificados, semelhantes a totens.
“Estamos falando de um modelo que dialoga com o centro histórico, não agride o cenário urbano e ainda amplia a mobilidade de forma sustentável”, destacou Marcela.
Estudo nacional e debate sobre custos
O VLT integra a lista de propostas avaliadas pelo ENMU, que terá sua quinta edição publicada em breve com dados técnicos e financeiros detalhados. Até agora, 18 projetos foram analisados para a Região Metropolitana do Recife, muitos deles com sobreposição de traçados, como os corredores de VLT e BRT no eixo Norte-Sul.
Nesses casos, a decisão sobre qual modal será adotado dependerá de estudos de viabilidade econômica. “A solução mais barata para implantar não é necessariamente a mais econômica para manter. Enquanto um ônibus tem vida útil de cerca de sete anos, uma composição de VLT pode operar por mais de 15. Estamos pensando em soluções que tenham durabilidade até 2054”, explicou Luciene Machado, do BNDES.
Metrô do Recife deve ser requalificado
O estudo do BNDES também avaliou projetos de expansão do Metrô do Recife, como a Linha Oeste (Derby–São Lourenço) e a Noroeste (Macaxeira–Cruz Cabugá). Até o momento, não foi identificada demanda que justifique a ampliação. A recomendação é que a prioridade seja a modernização da malha já existente.
“É essencial requalificar o metrô. As linhas que já estão em operação são utilizadas diariamente pela população e precisam de investimentos para ganhar eficiência e oferecer mais qualidade de serviço”, reforçou Luciene.
Investimento estratégico
Com um custo estimado em bilhões de reais, o VLT do Recife é tratado como um investimento estratégico para integrar mobilidade, turismo e desenvolvimento urbano. A expectativa é que, com a consolidação do projeto, o Recife siga o exemplo de capitais brasileiras como Fortaleza, Rio de Janeiro e Teresina, que já implantaram linhas de VLT em áreas centrais ou portuárias.
Além de melhorar o transporte público, a iniciativa tem potencial para impulsionar a economia local, valorizar áreas históricas e fortalecer o turismo.
Redação ANH/PE






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