Seca Extrema atinge 72 municípios em Pernambuco
Municípios afetados pela seca podem solicitar situação de emergência ao Governo do Estado. (Annaclarice Almeida/Arquivo DP) As chuvas que começaram a cair com mais regularidade em fevereiro no Sertão e no Agreste de Pernambuco trouxeram alívio para moradores do interior do estado e reacenderam a expectativa de redução dos índices mais críticos de estiagem. Apesar disso, os dados oficiais mais recentes ainda apontam avanço da seca em diversas regiões.
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) divulgou na última quinta-feira (19) a atualização do Boletim de Acompanhamento da Seca em Pernambuco, com informações referentes ao mês de janeiro de 2026. O levantamento mostra que o número de municípios em situação de “Seca Extrema” aumentou de 58, em dezembro de 2025, para 72 em janeiro deste ano.
O crescimento representa a inclusão de 14 cidades que estavam anteriormente classificadas em “Seca Grave” e passaram ao nível mais severo. Com isso, a área sob condição extrema se expandiu especialmente pelo Sertão e pelo Agreste, regiões historicamente mais vulneráveis à irregularidade das chuvas.
Além do avanço da categoria mais crítica, o boletim também registrou aumento no número de municípios em “Seca Moderada”. O total saltou de 38, em dezembro, para 57 em janeiro. Segundo o Mapa Pernambuco divulgado pela Apac, a seca moderada se espalhou por grande parte do Agreste e chegou a avançar sobre áreas da Zona da Mata Sul, ampliando o cenário de preocupação.
Os indicadores do Monitor da Seca levam em conta dados como precipitação acumulada, níveis de reservatórios, umidade do solo e impactos na agricultura e no abastecimento humano. O enquadramento nas diferentes categorias — moderada, grave ou extrema — reflete tanto a intensidade quanto a duração do déficit hídrico.
No campo, produtores relatam prejuízos com a perda de lavouras e dificuldades para manter a criação de animais, sobretudo em áreas onde a escassez de água já se prolonga há meses. Em alguns municípios, carros-pipa continuam sendo utilizados para garantir o abastecimento de comunidades rurais.
Apesar do cenário crítico apresentado em janeiro, as chuvas registradas ao longo de fevereiro podem modificar o quadro nos próximos levantamentos. Técnicos destacam que a recuperação dos indicadores depende não apenas do volume de precipitação, mas também da sua regularidade e da capacidade de recarga dos reservatórios e do solo.
Os efeitos das chuvas recentes só poderão ser mensurados oficialmente no Boletim de Acompanhamento da Seca referente a fevereiro, previsto para ser publicado em meados de março. Até lá, a expectativa é de que as precipitações contribuam para ao menos desacelerar o avanço da estiagem nas regiões mais afetadas do estado.
Redação ANH/PE








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