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Maceió,24/02/2026

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Lula articula criação de “SUS do Transporte” com proposta de tarifa zero

Agência Brasil
Lula articula criação de “SUS do Transporte” com proposta de tarifa zero Zerar tarifa de ônibus em nível municipal por todo País teria um custo de R$ 65 bilhões. Foto: José Aldenir

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende transformar a proposta de criação de um “SUS do Transporte Público” em uma das principais bandeiras de seu programa de governo. A iniciativa tem como meta reestruturar completamente o modelo de financiamento do transporte coletivo urbano no país, abrindo caminho para a implementação gradual da tarifa zero em âmbito nacional.

A ideia parte do diagnóstico de que o atual sistema, sustentado majoritariamente pelo pagamento direto da passagem pelos usuários, tornou-se financeiramente insustentável. A redução no número de passageiros pagantes, o aumento das gratuidades legais — como idosos e pessoas com deficiência — e a concorrência de aplicativos de transporte impactaram fortemente a arrecadação das empresas operadoras.

O secretário de Comunicação do PT, deputado Jilmar Tatto, afirmou que o tema já está em discussão com o presidente e que o governo pretende iniciar a tramitação da proposta no Congresso ainda este ano. Segundo ele, Lula demonstrou interesse direto no projeto e acompanha as reuniões técnicas sobre o assunto. A expectativa é que a proposta também ganhe espaço no debate político nacional.

No âmbito técnico, o Ministério da Fazenda conduz estudos para estimar o impacto fiscal e definir fontes de financiamento. O ministro Fernando Haddad comprometeu-se a apresentar um relatório conclusivo antes de deixar o cargo. Também participam das discussões o Ministério das Cidades e a Casa Civil, que analisam alternativas jurídicas e administrativas para viabilizar o modelo.

Levantamentos preliminares indicam que zerar a tarifa de ônibus nos municípios brasileiros poderia custar cerca de R$ 65 bilhões por ano. Entre as alternativas estudadas está a reformulação do vale-transporte. O projeto apresentado por Jilmar Tatto propõe extinguir o desconto de 6% no salário do trabalhador e estabelecer uma contribuição mensal das empresas, entre R$ 100 e R$ 200 por empregado. Os recursos seriam direcionados a um fundo nacional específico, com arrecadação estimada em até R$ 100 bilhões anuais.

No Congresso, o debate já começou a ganhar corpo. O presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou a possibilidade de criação de uma subcomissão para discutir fontes permanentes de custeio e garantir viabilidade econômica ao projeto.

O setor empresarial, por sua vez, defende cautela. O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras, avalia que o subsídio pode representar uma solução para a crise do transporte coletivo, mas ressalta a necessidade de planejamento e segurança jurídica. Segundo ele, mudanças precipitadas podem gerar desequilíbrios financeiros, especialmente se houver expansão da frota e, posteriormente, recuo na política de gratuidade.

Paralelamente, prefeitos articulam a aprovação do Projeto de Lei 3.278/2021, que institui o Marco Legal do Transporte Coletivo. O prefeito de Natal, Paulinho Freire, defendeu celeridade na tramitação durante encontro da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos com a presidência da Câmara. O texto, já aprovado pelo Senado, prevê novas fontes de financiamento, maior transparência nos contratos e destinação obrigatória de parte da Cide-Combustíveis ao setor.

Especialistas apontam que a proposta de um “SUS do Transporte” representa uma mudança estrutural na lógica de custeio da mobilidade urbana no Brasil. Ao transferir o financiamento para fontes compartilhadas entre poder público e setor produtivo, o modelo busca garantir acesso universal ao transporte coletivo, considerado essencial para inclusão social, desenvolvimento econômico e redução das desigualdades nas grandes cidades.

O avanço do projeto dependerá do equilíbrio entre responsabilidade fiscal, sustentabilidade do sistema e consenso político em torno de uma pauta que impacta diretamente milhões de brasileiros que utilizam diariamente o transporte público.

Redação ANH




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