Super-ricos deixam Dubai diante da escalada da guerra no Oriente Médio
Dubai, Emirados Árabes Unidos. (GIUSEPPE CACACE / AFP) O avanço do conflito no Oriente Médio tem provocado uma mudança significativa no cotidiano de Dubai. Conhecida por sua estabilidade e pelo ambiente favorável a grandes fortunas, a cidade dos Emirados Árabes Unidos passou a registrar um movimento discreto, porém crescente, de saída de residentes estrangeiros — especialmente milionários e investidores internacionais — diante do temor de uma guerra prolongada na região.
Tradicional refúgio de empresários, celebridades e executivos atraídos por benefícios fiscais, segurança e infraestrutura de alto padrão, Dubai consolidou ao longo das últimas décadas a imagem de porto seguro em meio à instabilidade geopolítica do Golfo. No entanto, a recente escalada militar, com drones e mísseis cruzando o espaço aéreo, abalou essa percepção.
Desde o fim de semana, ataques atribuídos à intensificação do confronto envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel atingiram pontos estratégicos nos Emirados, incluindo áreas próximas a aeroportos e instalações ligadas ao setor de energia. Embora as autoridades locais reforcem que os sistemas de defesa aérea têm interceptado grande parte dos projéteis, o impacto psicológico entre moradores estrangeiros é evidente.
Em bairros de luxo como Palm Jumeirah, onde se concentram mansões e hotéis cinco estrelas, relatos de explosões causadas por destroços de mísseis aumentaram a sensação de vulnerabilidade. Famílias com crianças pequenas e investidores com patrimônio internacional têm liderado o movimento de saída.
Com o espaço aéreo parcialmente restrito, a logística para deixar o país tornou-se mais complexa. Muitos residentes têm optado por viajar de carro até Omã, cruzando horas de estrada até a capital, Mascate, de onde partem voos internacionais ainda disponíveis. Empresas de fretamento relatam alta demanda por jatos privados com destino à Europa, especialmente para cidades como Genebra, na Suíça.
O Aeroporto Internacional de Dubai, um dos mais movimentados do mundo, registrou redução no fluxo de passageiros e cancelamentos frequentes. Governos como os do Reino Unido e da Alemanha passaram a organizar operações de retirada de cidadãos a partir de países vizinhos, diante da limitação de voos diretos.
Além da via aérea, a saída terrestre pela Arábia Saudita também tem sido alternativa para parte dos estrangeiros, já que aeroportos sauditas seguem operando. No entanto, questões burocráticas, como exigência de visto, têm dificultado o deslocamento de alguns residentes.
O mercado de transporte executivo em Dubai confirma que a procura por motoristas particulares e transferências internacionais aumentou nos últimos dias. Segundo operadores do setor, a corrida por alternativas seguras elevou significativamente os custos, tanto para voos fretados quanto para deslocamentos terrestres.
Enquanto os super-ricos conseguem custear rotas exclusivas, estrangeiros de renda média enfrentam desafios maiores. Passagens comerciais partindo de Mascate tornaram-se escassas, com preços elevados e assentos esgotados rapidamente após a abertura das vendas. Algumas famílias têm recorrido a itinerários indiretos, passando por cidades da Ásia antes de retornar à Europa ou América do Norte.
Apesar da tensão, muitos residentes afirmam que a saída é temporária. Para investidores e empresários que construíram negócios no emirado, Dubai continua sendo um centro estratégico global. Contudo, a permanência do conflito e a possibilidade de novos ataques colocam à prova a imagem de estabilidade que transformou a cidade em símbolo de prosperidade no Golfo.
O desfecho da crise regional será determinante para definir se o movimento atual se consolidará como uma fuga prolongada ou apenas como uma retirada preventiva até que o cenário geopolítico volte a se estabilizar.
Redação ANH








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