Embaixador do Irã acusa EUA de não buscarem acordo nuclear real
Abdollah Nekounam conversou com jornalistas em Brasília sobre ataques - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou que os Estados Unidos não demonstram disposição concreta para firmar um acordo nuclear com Teerã. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa realizada na embaixada iraniana, em Brasília, nesta segunda-feira (2), em meio ao agravamento do conflito envolvendo também Israel.
Segundo o diplomata, havia expectativa para a realização de uma reunião técnica em Viena, na Áustria, com mediação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), voltada à discussão de temas relacionados ao programa nuclear iraniano. No entanto, ele sustentou que as tratativas foram novamente prejudicadas por ações atribuídas aos Estados Unidos e a Israel, o que, na avaliação de Teerã, enfraquece qualquer perspectiva de avanço diplomático.
Durante a entrevista, Nekounam afirmou que o Irã tem reiterado sua disposição para negociar, desde que haja respeito à soberania nacional e garantias de cumprimento dos compromissos assumidos. Para o representante iraniano, o impasse atual estaria ligado a interesses geopolíticos mais amplos, e não apenas à questão nuclear. Ele classificou como “injustificável” a pressão militar e política exercida contra seu país e reiterou que o programa nuclear iraniano possui finalidade pacífica, voltada à geração de energia e ao desenvolvimento científico.
O embaixador também comentou a morte do líder supremo Ali Khamenei, ocorrida no último sábado (28). De acordo com ele, a transição de comando ocorreu de forma imediata, com a criação de um Conselho de Liderança Interino responsável por manter a estabilidade institucional e a condução das políticas estratégicas do Estado. A escolha do novo líder definitivo caberá à Assembleia dos Especialistas, conforme prevê o sistema político iraniano.
Nekounam ressaltou que, apesar do momento delicado, as estruturas administrativas e de defesa permanecem em funcionamento pleno. “A gestão do país segue ativa e organizada, sem descontinuidade”, afirmou, ao rebater análises que apontavam possível fragilidade interna após a morte de Khamenei.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que o conflito extrapola a esfera nuclear e envolve disputas estratégicas na região, incluindo o equilíbrio de forças no Oriente Médio e a contenção da influência de potências como a China. Já Estados Unidos e Israel defendem que as ações militares têm caráter preventivo, sob a alegação de que o Irã estaria avançando no desenvolvimento de armamentos nucleares — acusação que Teerã nega de forma categórica.
Questionado sobre a posição brasileira diante do conflito, o diplomata agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores, que condenou o uso da força e defendeu o respeito à soberania e à integridade territorial dos países envolvidos. Para Nekounam, a postura do Brasil demonstra compromisso com o direito internacional e com a solução pacífica de controvérsias.
Ao final, o embaixador reafirmou que eventuais ações militares iranianas são, segundo sua avaliação, medidas de legítima defesa, direcionadas a bases consideradas estratégicas de adversários. Ele enfatizou que o país permanece aberto ao diálogo, desde que as negociações ocorram em condições de igualdade e respeito mútuo.
A crise atual reforça o clima de incerteza na região e reacende o debate internacional sobre segurança nuclear, equilíbrio geopolítico e os limites da diplomacia em contextos de confronto armado.
Redação ANH








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