Daniel Vorcaro é levado para presídio em Potim após prisão em operação da PF
Após prisão, Daniel Vorcaro permanece em isolamento em presídio paulista. Foto: Divulgação O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi transferido na manhã desta quinta-feira (5) do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos para a Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. A transferência ocorreu em um veículo da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) adaptado para o transporte de presos, seguindo os protocolos de segurança do sistema penitenciário paulista.
A mudança de unidade ocorreu menos de 24 horas após a prisão do banqueiro, realizada na quarta-feira (4), em São Paulo, durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva expedido no âmbito de uma investigação conduzida pela Polícia Federal. A operação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a negociação de títulos de crédito falsos.
Vorcaro passou a primeira noite detido no CDP de Guarulhos, onde foi submetido aos procedimentos de praxe para ingresso no sistema prisional, como identificação, registro e corte de cabelo. Já na manhã desta quinta-feira, por volta das 7h30, ele foi conduzido sob escolta até a Penitenciária II de Potim, unidade destinada a presos do regime fechado.
No local, o empresário permanece inicialmente em cela de isolamento, medida considerada padrão para detentos recém-transferidos ou envolvidos em casos de grande repercussão pública. O isolamento ocorre por motivos de segurança e adaptação ao ambiente prisional. Após cerca de dez dias, ele poderá ser transferido para um dos pavilhões comuns da unidade.
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também foi preso durante a mesma operação e encaminhado para a mesma penitenciária. As autoridades investigam a possível participação dele no esquema que teria movimentado grandes quantias no mercado financeiro por meio da comercialização de papéis de crédito considerados irregulares.
A prisão integra uma nova fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo instituições e operadores do mercado. De acordo com a Polícia Federal, o esquema sob investigação teria utilizado títulos de crédito falsificados ou sem lastro real para realizar operações financeiras de alto valor, provocando prejuízos significativos ao sistema financeiro e a investidores.
A ordem de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que recentemente assumiu a relatoria do processo. A decisão levou em consideração indícios apontados pela investigação e o risco de continuidade das supostas irregularidades.
Segundo os investigadores, o nome da operação — Compliance Zero — faz referência à suposta inexistência ou falha grave em mecanismos de controle interno nas instituições investigadas. Essa fragilidade teria permitido práticas como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
A Penitenciária II de Potim, para onde Vorcaro foi levado, foi inaugurada em 2002 e é destinada a presos condenados ou em prisão preventiva no regime fechado. A unidade tem capacidade para abrigar 844 detentos, mas atualmente conta com cerca de 472 presos, de acordo com dados oficiais do governo estadual.
Nos últimos anos, o governo de São Paulo alterou o perfil das unidades destinadas a detentos envolvidos em casos de grande repercussão. Tradicionalmente, esses presos eram encaminhados à Penitenciária II de Tremembé, conhecida como o “presídio dos famosos”. Entretanto, após mudanças na política penitenciária, muitos desses detentos passaram a ser direcionados para a unidade de Potim.
O caso envolvendo Daniel Vorcaro segue em investigação, e novas diligências devem ser realizadas pela Polícia Federal para apurar a extensão do suposto esquema e identificar possíveis outros envolvidos nas irregularidades financeiras. Enquanto isso, a defesa do empresário ainda poderá apresentar recursos na Justiça para contestar a prisão preventiva.
Redação ANH/SP








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