Alagoas debate teto para cachês de artistas em eventos financiados por prefeituras
Prefeitos de Alagoas discutem limite para cachês de artistas em festas municipais. Divulgação / AMA Prefeitos e prefeitas de municípios de Alagoas iniciaram uma discussão sobre a criação de critérios mais rigorosos e até mesmo um possível limite para os cachês pagos a bandas e artistas contratados para eventos organizados pelas prefeituras. O primeiro debate sobre o tema ocorreu na última segunda-feira (9), durante reunião realizada na sede da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), em Maceió, reunindo gestores municipais de diferentes regiões do estado.
A iniciativa surgiu diante da alta nos valores cobrados por artistas e atrações nacionais, fenômeno que tem gerado preocupação entre os gestores públicos. Segundo os prefeitos, o aumento dos cachês tem impactado diretamente os orçamentos municipais, principalmente nas cidades de pequeno e médio porte, que dependem de recursos mais limitados para manter serviços essenciais e promover eventos culturais.
Nos últimos anos, festas tradicionais organizadas pelas prefeituras — como festas juninas, aniversários de cidades e festivais culturais — passaram a disputar atrações populares do cenário musical brasileiro. Essa concorrência entre municípios, de acordo com os gestores, acabou contribuindo para uma escalada nos valores cobrados por artistas e produtores, muitas vezes considerada incompatível com a realidade financeira das administrações locais.
O debate em Alagoas segue um movimento que já vem sendo observado em outros estados. Na Bahia, por exemplo, prefeitos se mobilizaram recentemente para discutir a criação de um teto para cachês pagos em eventos públicos, com o objetivo de evitar gastos excessivos com contratações artísticas financiadas com recursos municipais.
Durante a reunião em Maceió, os gestores ressaltaram que a proposta não tem como objetivo prejudicar a cultura popular ou acabar com festas tradicionais, que possuem grande importância para a identidade cultural das cidades e também movimentam a economia local, atraindo turistas e gerando renda para comerciantes, ambulantes e trabalhadores informais.
O prefeito de Quebrangulo, Manoel Tenório, afirmou que o debate busca encontrar um equilíbrio entre a valorização da cultura e a responsabilidade fiscal. Segundo ele, é fundamental que os gestores municipais analisem os custos dessas contratações e discutam alternativas para garantir que as festividades continuem acontecendo sem comprometer as finanças públicas.
“Os prefeitos estão atentos à realidade financeira dos municípios. Precisamos discutir esses valores e buscar um entendimento coletivo que permita preservar nossas tradições, mas também garantir responsabilidade com o dinheiro público”, destacou.
Já o presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e prefeito de Coruripe, Marcelo Beltrão, reforçou que o objetivo da discussão é estimular uma reflexão mais ampla sobre as prioridades na gestão municipal. Ele ressaltou que, em algumas situações, o valor pago por um único show pode ser equivalente a investimentos importantes em áreas essenciais, como saúde, educação, infraestrutura ou habitação.
Segundo Beltrão, a intenção não é impedir a realização de eventos culturais, mas promover um debate equilibrado sobre a forma como os recursos públicos são utilizados.
“Não estamos falando em acabar com festas ou com a cultura popular. O que queremos é encontrar um ponto de equilíbrio. Em alguns casos, o valor de uma única apresentação artística poderia representar melhorias importantes em serviços públicos”, explicou.
A expectativa é que as discussões avancem nos próximos encontros da AMA e que os prefeitos possam construir um consenso sobre possíveis parâmetros ou orientações para contratações artísticas em eventos financiados com recursos públicos.
Para os gestores, a iniciativa também pode incentivar um movimento nacional entre municípios, estimulando a criação de regras mais transparentes e responsáveis para a contratação de shows e eventos culturais. Dessa forma, as festas tradicionais poderiam continuar sendo realizadas, valorizando a cultura e fortalecendo o turismo local, mas sem gerar desequilíbrios nas contas públicas das prefeituras.
Redação ANHAL








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