Ato pelo Dia da Mulher reúne movimentos sociais e lideranças políticas em Fortaleza
Manifestação pelo Dia da Mulher em Fortaleza ocorreu na Barra do Ceará e teve como bandeiras de luta o fim da violência e da escala 6x1. Foto: Reprodução\Instagram Dezenas de mulheres foram às ruas da Barra do Ceará, em Fortaleza, na manhã deste domingo (8), para participar de um ato em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A mobilização reuniu manifestantes que reivindicaram o combate ao feminicídio, ao machismo e às diferentes formas de violência de gênero ainda presentes na sociedade.
Com cartazes e palavras de ordem, as participantes também defenderam a ampliação de direitos, a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas para as mulheres, além de mais proteção, autonomia e justiça. Entre os temas levantados durante o protesto esteve o pedido pelo fim da escala de trabalho 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. Segundo as manifestantes, essa jornada contribui para intensificar a sobrecarga enfrentada por muitas mulheres, que além do trabalho formal também acumulam responsabilidades domésticas e de cuidado.
O ato contou com a presença de lideranças políticas e representantes de movimentos sociais. Participaram da mobilização a deputada federal Luizianne Lins (PT), a deputada estadual Larissa Gaspar (PT) e a vereadora Adriana Gerônimo, que acompanharam a caminhada e dialogaram com as participantes sobre as pautas apresentadas.
Entidades sindicais também marcaram presença no protesto. Entre elas estava o Sindicato União dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute), que destacou a importância da mobilização em um contexto marcado por altos índices de violência contra mulheres no país. Em publicação nas redes sociais, o sindicato afirmou que o 8 de março deve ser encarado não apenas como uma data simbólica, mas como um momento de organização e luta coletiva.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT), outra organização presente na manifestação, ressaltou que o ato também buscou provocar uma reflexão social mais ampla. De acordo com a entidade, a mobilização do Dia Internacional da Mulher é um chamado para o enfrentamento da violência de gênero e para a construção de mudanças profundas no comportamento da sociedade, especialmente nas relações entre homens e mulheres.
Além das denúncias contra a violência, as manifestantes também defenderam melhores condições de trabalho, uma divisão mais equilibrada das tarefas de cuidado dentro das famílias e maior participação feminina nos espaços de poder e decisão política.
Manifestações semelhantes ocorreram em diferentes regiões do Brasil ao longo do dia. No Rio de Janeiro, mulheres ocuparam a Avenida Atlântica, em Copacabana, enquanto em São Paulo a mobilização ocorreu na Avenida Paulista, reunindo movimentos feministas, organizações sociais e apoiadores da causa.
Na capital federal, Brasília, o ato percorreu o trajeto entre a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal. Já em Belo Horizonte (MG), um protesto simbólico chamou a atenção na Praça da Liberdade, onde 160 cruzes foram instaladas para representar as mulheres vítimas de feminicídio no estado de Minas Gerais entre 2025 e 2026. A última vítima registrada foi assassinada a facadas na cidade de Santa Luzia, na Região Metropolitana da capital, no próprio Dia Internacional da Mulher.
Em Salvador (BA), as manifestantes se concentraram no Morro do Cristo e seguiram em caminhada até o Farol da Barra. Durante o ato, elas defenderam o lema “Mulheres vivas, em luta e sem medo”, pedindo democracia com soberania, melhores condições de vida, o fim do feminicídio e o encerramento da escala 6x1.
Na cidade de Belém (PA), centenas de mulheres participaram de um protesto organizado principalmente por coletivos feministas. A mobilização teve início na Escadinha da Estação das Docas e percorreu diversas ruas do centro da capital paraense, com reivindicações por igualdade de gênero e políticas públicas mais efetivas de proteção às mulheres.
Para Vanessa Albuquerque, presidenta da Rede de Mulheres da Amazônia, o 8 de março historicamente é marcado por mobilização e reflexão. Segundo ela, a data representa um momento importante para cobrar avanços em direitos e denunciar violências que ainda afetam milhões de mulheres. “É um dia de luta, de ir às ruas, de exigir políticas públicas e de reforçar o combate ao feminicídio, à violência vicária e a tantas outras formas de violência que atingem as mulheres”, afirmou.
Redação ANH/CE








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