Com sequelas graves, torcedor que foi espancado desabafa em júri: "Não consigo me alimentar sozinho"
Ao júri, Simey disse que, ao sair do coma, não conseguia falar. Ele tentou andar no quarto do hospital e caiu
Ascom MPAL Vítima da violência causada pelas brigas entre torcidas organizadas, Symei Araújo desabafou no Tribunal do Júri, nesta quinta-feira, 19, ao falar sobre as graves sequelas que ficou após ser brutalmente espancado por membros da Mancha Azul em 2 de agosto de 2023, na parte baixa da capital alagoana. Dois dos cinco denunciados por participação no crime começaram a ser julgados nesta manhã, na 9ª Vara Criminal de Maceió.
Simey contou que trabalhava com serviços gerais, tocava na bateria de uma torcida do CRB e afirmou que nunca participou de enfrentamentos. Ele passou quatro meses internado em coma, no Hospital Geral do Estado (HGE), e ficou com sequelas gravíssimas devido às agressões.
Ao júri, Simey disse que, ao sair do coma, não conseguia falar. Ele tentou andar no quarto do hospital e caiu.
"Não consigo me alimentar sozinho, porque fico me engasgando e minha mãe tem que estar perto", relatou a vítima.
Hoje, com 27 anos de idade, o jovem segue com dificuldade de fala, mas descreveu no tribunal o que aconteceu naquele dia 2 de agosto.
"Tentei correr, mas jogaram um barrote no meu pé e eu caí. Levaram tudo meu, roupa, celular, documentos. Me deixaram nu".
A vítima informou que imagens dele sem roupa e espancado foram compartilhadas em grupos de WhatsApp, em tom de zombaria sobre a tentativa de homicídio, e que o conteúdo viralizou.
O Ministério Público aponta tentativa de homicídio com motivo fútil, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além de furto. Os outros três denunciados serão julgados separadamente.








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