Feminicídio no Recife reacende debate sobre fragilidade das medidas protetivas
O tempo de relação entre Isabel e Silvio informado pela família dela configura que eles estariam juntos quando ela ainda tinha 14 anos, e ele, 40. (Reprodução/Redes sociais) Feminicídio no Le Parc: medida protetiva não impediu morte de jovem paraibana
Um caso de feminicídio seguido de suicídio chocou o bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, no domingo. Isabel Cristina Oliveira dos Santos, de 22 anos, natural de Campina Grande (PB), foi assassinada pelo companheiro Silvio Souza Silva, de 48 anos, que em seguida tirou a própria vida.
O relacionamento entre eles durou oito anos, mas era marcado por frequentes desentendimentos e violência. O que agrava o caso é a desigualdade etária e de poder: Isabel tinha apenas 14 anos quando iniciou o relacionamento com Silvio, que contava 40 anos na época. O casal tinha uma filha de 3 anos.
Apesar de possuir medida protetiva contra o agressor, Isabel não conseguiu se afastar dele. Conforme registrado no Boletim de Ocorrência, Silvio continuava frequentando o apartamento no condomínio Le Parc onde moravam. No dia do crime, ele foi ao local, discutiu com Isabel e chegou a arremessar uma sandália para atingi-la. Depois de sair, retornou para consumar o homicídio.
A irmã e a cunhada de Isabel foram as primeiras a encontrar os corpos dos dois sem vida no apartamento. A filha do casal, que estava presente no imóvel, ficou órfã de mãe. A polícia apreendeu um revólver com duas munições deflagradas e três celulares no local.
Silvio Souza Silva era cantor e empresário, dono de uma fábrica de alumínio e vidros. O caso evidencia a fragilidade das medidas protetivas em proteger vítimas de violência doméstica e reforça que relacionamentos com grande disparidade etária e de poder apresentam fatores de risco significativos para feminicídio.
Redação ANH/PE








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