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Maceió,30/03/2026

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BR-232, rota do sofrimento: PRF intensifica combate ao tráfico de animais em PE

Assessoria
BR-232, rota do sofrimento: PRF intensifica combate ao tráfico de animais em PE Papagaios resgatados vítimas de tráfico em fase de convívio. Foto: Crysli Viana/DP Foto

A Polícia Federal deflagrou a Operação Extinção Zero em março para desarticular uma organização criminosa transnacional especializada no tráfico de animais silvestres ameaçados de extinção, cumprindo 12 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão em Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão e Pará. A ação representa um dos esforços mais recentes contra um crime que segue transformando o canto livre da Caatinga e da Mata Atlântica em silêncio e sofrimento dentro de gaiolas.


Em Pernambuco, o tráfico se consolidou como prática recorrente, impulsionada por fatores culturais, econômicos e pela percepção de baixa punição. Os investigados são suspeitos de integrar esquema responsável pela captura, armazenamento, comercialização e envio de ovos e animais silvestres para o exterior, incluindo espécies de alto valor no mercado ilegal. Eles poderão responder por organização criminosa, contrabando, receptação qualificada, além de crimes ambientais e maus-tratos a animais.

O estado funciona simultaneamente como ponto de origem, rota de passagem e destino final dos animais traficados. A BR-232 se destaca como principal eixo de circulação, conectando interior ao litoral e facilitando o deslocamento ilegal. Cidades como Recife e Caruaru aparecem com frequência como destinos, onde a demanda sustenta o ciclo. Dentro de caixas improvisadas ou pequenos recipientes conhecidos como cumbucos, aves e outros animais enfrentam calor, fome, sede e estresse extremo durante o transporte.


O tráfico envolve a captura, transporte e venda ilegal de espécies nativas, causando graves prejuízos à biodiversidade e ao equilíbrio ecológico. A retirada de aves compromete processos essenciais como dispersão de sementes e controle de populações de insetos, gerando efeito em cascata. Esse fenômeno, conhecido como síndrome da floresta vazia, transforma áreas aparentemente preservadas em ambientes onde a fauna desaparece e as funções ecológicas se perdem.


Quando animais traficados são resgatados, inicia-se nova etapa igualmente desafiadora. Eles são encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres, estrutura responsável por tentar reverter danos que muitas vezes são profundos. Somente em 2025, o Ibama registrou a apreensão de 12.278 animais silvestres no Brasil, com a maior parte envolvendo aves, especialmente passeriformes. Em Pernambuco, cerca de 70% a 80% dos animais que entram nos centros são passeriformes, pequenos pássaros conhecidos pelo canto, como galo de campina, papa-capim, tico-tico e azulão.

A recuperação exige tempo, estrutura e cuidado com medicamentos. Os biólogos trabalham a parte cognitiva e muscular, colocando animais em viveiros com alimentos naturais e outros indivíduos para que voltem a se sociabilizar e reaprender a viver. Nem todos conseguem e muitos chegam debilitados. Outros carregam sequelas irreversíveis. Apesar disso, algumas histórias escapam da lógica da perda, como a de um papagaio que passou 36 anos em cativeiro, conseguiu se reabilitar, formar casal e teve filhos, netos e bisnetos em vida livre.


O tráfico continua se adaptando, expandindo-se do ambiente das feiras para o digital, com negociações feitas por redes sociais e aplicativos de mensagem. A fiscalização tenta acompanhar esse movimento com ações de inteligência e monitoramento, mas enfrenta alta demanda. Segundo especialistas, não existe demanda sem comprador, e a principal solução está na educação ambiental e na mudança de consciência sobre o papel dos animais nos ecossistemas.

Redação ANH/PE




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