Criador da CNN, Ted Turner morre aos 87 anos nos Estados Unidos
Ted Turner fundou a CNN na década de 80. Foto: DON EMMERT/AFP O empresário norte-americano Ted Turner, fundador da CNN e um dos nomes mais influentes da indústria de mídia dos Estados Unidos, morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos. A informação foi confirmada pela própria emissora. A causa da morte não foi divulgada. Em 2018, Turner havia tornado público o diagnóstico de demência com corpos de Lewy, uma doença neurodegenerativa progressiva.
Turner entrou para a história ao fundar, em 1980, a primeira rede de notícias com transmissão contínua durante 24 horas por dia. A criação da CNN transformou o modelo de cobertura jornalística televisiva ao estabelecer um fluxo ininterrupto de informações em tempo real, impactando a forma como guerras, crises políticas, desastres naturais e grandes eventos passaram a ser acompanhados em todo o mundo.
Ao longo da carreira, construiu uma reputação marcada pela ousadia nos negócios e por um perfil provocador. Em uma de suas declarações mais conhecidas, afirmou que alcançaria a perfeição se tivesse um pouco de humildade, refletindo o estilo direto que o acompanhou durante décadas no setor de comunicação.
Registrado como Robert Edward Turner III, nasceu em 1938, na cidade de Cincinnati. Ainda jovem, mudou-se para o sul dos Estados Unidos, onde estudou em escolas militares e se destacou em atividades como debates e competições de vela. Chegou a ingressar na Brown University, mas não concluiu o curso. Aos 24 anos, assumiu os negócios da família após a morte do pai, inicialmente atuando no ramo de publicidade em outdoors.
A entrada no setor de comunicação ocorreu em 1970, quando adquiriu uma emissora em dificuldades em Atlanta. A aposta, considerada arriscada à época, deu origem à primeira superestação distribuída nacionalmente por TV a cabo via satélite, abrindo caminho para a expansão de seu império midiático.
Com o lançamento da CNN, consolidou-se como pioneiro ao propor uma cobertura jornalística contínua, desafiando o modelo tradicional das grandes redes. Mesmo diante de desconfiança inicial do mercado, a emissora cresceu e se tornou referência global. Em reconhecimento ao impacto de sua atuação, foi escolhido Homem do Ano pela revista Time em 1991.
Nas décadas seguintes, ampliou seus negócios com canais especializados e participou de importantes movimentos no setor, incluindo a fusão da Turner Broadcasting com a Time Warner. Também esteve envolvido na união da companhia com a AOL, uma das maiores operações da história das telecomunicações, embora tenha perdido influência na empresa após reestruturações posteriores.
Além da atuação empresarial, Turner teve papel relevante na filantropia e no ativismo ambiental. Tornou-se um dos maiores proprietários de terras dos Estados Unidos e realizou doações significativas para causas internacionais, incluindo uma contribuição bilionária para a Organização das Nações Unidas. Também participou da criação de iniciativas voltadas à redução de ameaças nucleares.
No esporte, destacou-se como proprietário de equipes profissionais e como velejador, tendo vencido a America’s Cup. Criou ainda os Jogos da Boa Vontade, idealizados em um contexto de tensões da Guerra Fria. Ao longo da vida, acumulou uma fortuna bilionária e manteve presença marcante em diferentes áreas, deixando um legado duradouro na comunicação global e em iniciativas sociais.
Redação ANH




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