Condição hormonal feminina terá nova nomenclatura em sistemas de saúde
tratamenSíndrome dos Ovários Policísticos passa a ter novo nome após consenso internacional. Foto: Divulgação Uma das condições hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva passou a ter uma nova denominação após consenso internacional publicado nesta terça-feira (12) na revista médica The Lancet. A até então chamada Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passa a ser denominada Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP).
A mudança foi definida após um processo internacional que reuniu 56 organizações científicas, clínicas e representantes de pacientes de diferentes países, além de mais de 14 mil respostas coletadas em pesquisas globais. O Brasil participou das discussões por meio da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, com representação da endocrinologista Poli Mara Spritzer.
Segundo especialistas, a alteração busca corrigir uma interpretação considerada inadequada do nome anterior, que associava a síndrome à presença de “cistos” nos ovários. Na prática, o quadro é caracterizado pela presença de múltiplos folículos com crescimento interrompido, e não cistos propriamente ditos.
Além disso, o termo antigo acabava restringindo a compreensão da síndrome ao campo ginecológico, quando a condição também envolve importantes alterações hormonais e metabólicas. Entre elas está a resistência à insulina, presente em cerca de 85% das pessoas diagnosticadas.
A nova nomenclatura incorpora o termo “poliendócrina” justamente para destacar a participação de diferentes sistemas hormonais no desenvolvimento da síndrome, incluindo alterações relacionadas à insulina, androgênios, hormônio luteinizante (LH) e hormônio antimülleriano (AMH).
De acordo com o estudo, até 70% das mulheres com a condição seguem sem diagnóstico. O diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina da SBEM, Alexandre Hohl, afirmou que o antigo nome era considerado enganoso por sugerir que a doença fosse causada por cistos ovarianos.
A síndrome está associada a riscos como obesidade, pré-diabetes, diabetes tipo 2, colesterol elevado, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Entre os principais sintomas estão irregularidade menstrual, dificuldade para engravidar, acne, aumento de pelos, queda de cabelo e ganho de peso.
Especialistas também apontam relação da condição com ansiedade, depressão e redução da qualidade de vida das pacientes.
Apesar da mudança no nome, os critérios de diagnóstico e as formas de tratamento permanecem inalterados. Em mulheres adultas, o diagnóstico continua baseado na presença de pelo menos dois de três critérios: disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e alterações ovarianas identificadas em exames.
O tratamento segue individualizado e pode incluir anticoncepcionais hormonais, medicamentos antiandrogênicos, metformina, indutores de ovulação e acompanhamento metabólico contínuo.
A transição para a nova nomenclatura deverá ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos três anos, incluindo atualização de diretrizes clínicas, sistemas de saúde e classificações internacionais, como o Código Internacional de Doenças (CID).
Segundo os especialistas envolvidos no consenso, a mudança pode ampliar a compreensão da condição, melhorar o diagnóstico e estimular novas pesquisas e políticas públicas voltadas à saúde feminina.
Redação ANH








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