OMS convoca reunião de emergência após avanço do ebola no Congo
Não há vacina ou tratamento específico para a cepa responsável pelo atual surto. Foto: JOSPIN MWISHA / AFP A Organização Mundial da Saúde convocou nesta terça-feira (19) uma reunião de emergência para discutir o avanço do surto de ebola na República Democrática do Congo, após o crescimento acelerado do número de casos e mortes registrados no país africano. O encontro reúne especialistas internacionais e integrantes do comitê de emergências da OMS para definir novas estratégias de contenção da doença.
Segundo informações divulgadas pela entidade, o atual surto já contabiliza 513 casos suspeitos e ao menos 131 mortes, números que vêm gerando preocupação entre autoridades sanitárias internacionais devido à velocidade de propagação da enfermidade.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou para “a escala e a velocidade” da epidemia, destacando que a situação exige resposta rápida e coordenada para evitar que o vírus se espalhe para outras regiões do continente africano.
O ebola é uma doença viral grave que provoca febre hemorrágica altamente contagiosa. O vírus pode causar sintomas como febre intensa, vômitos, diarreia, hemorragias internas e externas, além de falência de órgãos em casos mais severos. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou superfícies contaminadas.
Nas últimas cinco décadas, surtos da doença já provocaram mais de 15 mil mortes em diferentes países africanos, tornando o ebola uma das enfermidades mais temidas do continente.
Diante do agravamento do cenário, a OMS declarou no último domingo uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, classificação máxima de alerta sanitário global adotada pela entidade em situações de alto risco epidemiológico.
A Africa CDC, agência de saúde da União Africana, também anunciou emergência continental para ampliar a mobilização de recursos e equipes médicas.
Autoridades da República Democrática do Congo afirmam que o monitoramento ainda enfrenta dificuldades devido à limitação de exames laboratoriais e ao acesso precário em algumas regiões afetadas. O ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, explicou que muitas mortes registradas ainda são tratadas como casos suspeitos até a confirmação definitiva dos testes.
Especialistas temem que o surto se prolongue por meses ou até anos caso não haja resposta rápida. A representante da OMS no Congo, Anne Ancia, afirmou que epidemias anteriores de ebola no país chegaram a durar cerca de dois anos.
Outro fator de preocupação é a ausência de vacina específica para a variante Bundibugyo, cepa responsável pelo atual surto. A OMS avalia o uso experimental de vacinas e tratamentos que possam ajudar no controle da doença enquanto pesquisadores buscam alternativas mais eficazes.
As autoridades de saúde trabalham para ampliar a identificação precoce de casos, rastrear contatos de pessoas infectadas e conscientizar a população sobre medidas de prevenção. Campanhas educativas também foram iniciadas para orientar moradores sobre higiene, isolamento de pacientes e cuidados durante funerais, considerados momentos críticos para a transmissão do vírus.
O presidente da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, pediu calma à população e garantiu que o governo adotará todas as medidas necessárias para reforçar o combate à epidemia.
A comunidade internacional acompanha a situação com preocupação diante do risco de disseminação regional e dos desafios estruturais enfrentados pelo sistema de saúde congolês.
Redação ANH








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