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Maceió,22/05/2026

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Presidente do TSE vê IA como ameaça à democracia nas eleições brasileiras

Assessoria
Presidente do TSE vê IA como ameaça à democracia nas eleições brasileiras Novo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques foi empossado neste mês - Foto: Alejandro Zambrana / TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou nesta quarta-feira que a inteligência artificial será um dos maiores desafios das eleições brasileiras de 2026. Durante participação em um evento promovido pela Seta Public Affairs, o ministro alertou para o crescimento da chamada “mentira tecnicamente otimizada”, produzida com o uso de ferramentas de IA para manipular informações, influenciar eleitores e espalhar desinformação em larga escala.

O magistrado destacou que a tecnologia tem alterado profundamente a forma como conteúdos políticos circulam nas redes sociais e plataformas digitais. Segundo Kassio, o avanço da inteligência artificial generativa tornou mais difícil identificar conteúdos falsos, principalmente vídeos manipulados, áudios simulados e montagens hiper-realistas conhecidas como deepfakes.

De acordo com o presidente do TSE, o principal risco está na velocidade de disseminação desse tipo de material, especialmente durante períodos decisivos da campanha eleitoral. Ele explicou que conteúdos falsos divulgados nas horas que antecedem uma votação podem alcançar milhões de pessoas antes mesmo de qualquer resposta da Justiça Eleitoral.

Durante o encontro, Kassio afirmou que o TSE pretende atuar de forma firme no combate à desinformação, mas ressaltou que as ações da Corte precisarão respeitar princípios como proporcionalidade, transparência e liberdade democrática. Para ele, o fortalecimento da confiança no sistema eleitoral será um dos pilares da atuação da Justiça nos próximos anos.

“O desafio não é apenas tecnológico, mas institucional e democrático”, afirmou o ministro ao defender a construção de mecanismos mais eficientes para monitorar conteúdos produzidos por inteligência artificial.

O vice-presidente do TSE, André Mendonça, também participou do evento, que reuniu especialistas em tecnologia, direito digital e comunicação política. Os debates abordaram o crescimento do uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais ao redor do mundo e os impactos que essas ferramentas podem causar na opinião pública.

Especialistas presentes alertaram que o Brasil poderá enfrentar nas eleições de 2026 um cenário marcado por campanhas altamente automatizadas, produção massiva de conteúdos sintéticos e estratégias digitais voltadas à exploração emocional do eleitorado. Segundo os participantes, algoritmos e sistemas de IA já são capazes de identificar padrões de comportamento, preferências políticas e vulnerabilidades emocionais para direcionar mensagens personalizadas.

Kassio Nunes Marques destacou ainda que o enfrentamento desse cenário exige cooperação entre diferentes setores da sociedade. O ministro defendeu uma atuação conjunta entre Justiça Eleitoral, plataformas digitais, universidades, veículos de imprensa, partidos políticos e sociedade civil organizada.

Além da remoção de conteúdos falsos, o presidente do TSE defendeu medidas preventivas, como educação digital, rastreabilidade das publicações e responsabilização de pessoas ou grupos envolvidos na produção deliberada de desinformação.

Nos últimos anos, o TSE vem ampliando discussões sobre regulação do uso de inteligência artificial no ambiente eleitoral. A Corte já aprovou resoluções voltadas ao combate de conteúdos manipulados digitalmente e ao uso irregular de ferramentas automatizadas em campanhas políticas.

A preocupação da Justiça Eleitoral acompanha um movimento internacional de alerta sobre o impacto da inteligência artificial nos processos democráticos. Diversos países discutem atualmente mecanismos de controle, transparência e identificação obrigatória de conteúdos produzidos com IA, diante do receio de manipulação eleitoral em escala global.

Para especialistas, as eleições de 2026 poderão representar um marco na relação entre democracia e tecnologia no Brasil, colocando à prova a capacidade das instituições de responder aos desafios impostos pela nova era digital.

Redação ANH/DF




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