Caso Marielle: STF decide abrir ação penal contra policiais investigados
Segundo denúncia da PGR, acusados cometeram atos para desaparecer com provas e realizaram diligências desnecessárias para garantir impunidade dos mandantes e executores do assassinato. Foto: Renan Olaz/CMRJ O Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta quinta-feira (21) para transformar em réus três integrantes da Polícia Civil do Rio de Janeiro investigados por suposta obstrução das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, mortos em março de 2018 no centro do Rio de Janeiro.
A decisão foi tomada pela Primeira Turma da Corte em sessão virtual e representa mais um desdobramento de um dos casos criminais de maior repercussão política e social da história recente do país.
Até o momento, votaram pela abertura da ação penal os ministros Alexandre de Moraes, relator do processo, Cristiano Zanin e Flávio Dino, formando maioria no colegiado.
Ainda falta o voto da ministra Cármen Lúcia, que poderá se manifestar até o encerramento da sessão virtual.
Entre os acusados está o ex-chefe da Polícia Civil fluminense, Rivaldo Barbosa, apontado pela investigação como um dos responsáveis por atrapalhar o andamento das apurações sobre o crime.
Também são investigados o delegado Giniton Lages e o comissário Marco Antônio de Barros Pinto.
Segundo denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, os investigados teriam praticado atos para dificultar o esclarecimento do duplo homicídio, incluindo desaparecimento de provas, direcionamento irregular das investigações, uso de testemunhas falsas e tentativa de incriminar pessoas inocentes.
A PGR afirma que as ações tinham como objetivo garantir a impunidade dos mandantes e executores do crime.
O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes ocorreu em 14 de março de 2018 e provocou repercussão internacional.
Marielle era vereadora do PSOL e atuava em pautas relacionadas aos direitos humanos, violência policial, igualdade racial e direitos das mulheres nas comunidades cariocas.
As investigações apontaram que o crime teria sido motivado por disputas fundiárias e interesses ligados à grilagem de terras na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Em fevereiro deste ano, os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão foram condenados a mais de 76 anos de prisão apontados como mandantes do atentado.
Eles foram considerados culpados pelos crimes de organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao ataque.
As defesas dos acusados negam irregularidades.
Os advogados de Rivaldo Barbosa afirmam que não existem provas concretas contra o ex-chefe da Polícia Civil e sustentam que a acusação seria baseada apenas em interpretações.
Já a defesa de Giniton Lages questiona a competência do STF para julgar o caso, argumentando que o delegado não possui foro privilegiado.
Os representantes de Marco Antônio de Barros Pinto afirmam que a investigação policial resultou na prisão de Ronnie Lessa e negam qualquer tentativa de obstrução.
Com a formação da maioria no STF, os acusados passam oficialmente à condição de réus e responderão a uma ação penal na Suprema Corte.
A nova etapa do processo deverá aprofundar a análise de provas, depoimentos e possíveis responsabilidades na suposta tentativa de manipular as investigações do assassinato que marcou a política brasileira nos últimos anos.
Redação ANH








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