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Maceió,25/05/2026

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Estudo da UFPE aponta telhados verdes como solução para calor e enchentes no Recife

Assessoria
Estudo da UFPE aponta telhados verdes como solução para calor e enchentes no Recife Prédios com telhados verdes são alternativa sustentável para reduzir temperaturas. Foto: Rafael Vieira/DP Foto

O avanço da urbanização e o aumento das temperaturas em Recife têm impulsionado o debate sobre soluções sustentáveis capazes de reduzir os impactos climáticos nas cidades. Um estudo recente desenvolvido pela Universidade Federal de Pernambuco aponta os telhados verdes como uma alternativa eficiente para amenizar as ilhas de calor urbanas, melhorar o conforto térmico e contribuir para o controle das enchentes na capital pernambucana.

A pesquisa, intitulada “Telhados Verdes: avaliação do seu papel na redução das ilhas de calor urbanas em Recife-PE”, foi realizada na Unidade Experimental de Telhados Ecológicos do Recife (UETER), localizada no Centro de Tecnologia e Geociências da universidade. O levantamento analisou imagens de satélite entre 2014 e 2024 e identificou um crescimento das áreas impermeabilizadas e redução significativa da cobertura vegetal na cidade.

Segundo o estudo, a expansão urbana acelerada e a substituição de áreas naturais por concreto e asfalto intensificam o fenômeno das ilhas de calor, tornando Recife cada vez mais quente e vulnerável a eventos climáticos extremos. Dados do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que 87% da população brasileira vive em áreas urbanas. Em Pernambuco, o índice chega a cerca de 84%.

Diante desse cenário, os telhados verdes surgem como uma estratégia de adaptação climática e infraestrutura sustentável. O sistema consiste na instalação de vegetação sobre coberturas de edificações, utilizando camadas específicas de impermeabilização, drenagem e substratos adequados para o crescimento das plantas e retenção da água da chuva.

De acordo com o engenheiro ambiental Gabriel Mendes, a vegetação reduz a absorção de calor pelas construções e contribui diretamente para a diminuição da temperatura urbana.

“A camada vegetal funciona como uma proteção natural da cobertura. Em vez do telhado absorver toda a radiação solar e devolver calor ao ambiente, as plantas promovem resfriamento através da evapotranspiração, reduzindo as temperaturas internas e ajudando no combate às ilhas de calor”, explicou.

Os testes realizados pela UFPE confirmaram a eficiência térmica do sistema. Em um dos experimentos, enquanto um telhado convencional atingiu temperatura de 33°C, um telhado verde permaneceu próximo dos 30°C durante os horários mais quentes do dia.

Além do conforto térmico, os pesquisadores destacam benefícios importantes para o controle das águas pluviais, um dos principais desafios urbanos enfrentados por Recife durante o período de chuvas intensas.

Segundo o estudo, os telhados verdes conseguem absorver parte da água da chuva, diminuindo a velocidade do escoamento superficial e reduzindo a pressão sobre os sistemas de drenagem urbana. A solução pode colaborar diretamente na prevenção de alagamentos e enchentes.

“O telhado verde também melhora a qualidade do ar, amplia as áreas verdes urbanas, reduz ruídos e ainda contribui para diminuir o consumo de energia elétrica com aparelhos de climatização”, acrescentou Gabriel Mendes.

A discussão sobre infraestrutura verde ganhou força em Pernambuco após a aprovação da Lei Estadual nº 18.875/2025, que regulamenta a implantação de telhados verdes em novas edificações com mais de quatro pavimentos. A legislação prevê a inclusão de vegetação em lajes, coberturas, estacionamentos e áreas de lazer. O descumprimento das regras pode gerar multas entre R$ 1 mil e R$ 100 mil, além de impedir o licenciamento das obras.

Apesar das vantagens ambientais, especialistas afirmam que a adoção da tecnologia ainda enfrenta obstáculos, como os custos iniciais, a necessidade de mão de obra especializada e limitações estruturais em prédios mais antigos.

Segundo Gabriel Mendes, o principal desafio está relacionado à capacidade estrutural das edificações, já que o sistema acrescenta peso adicional às construções, principalmente em períodos de chuva.

“Impermeabilização, drenagem e proteção contra raízes precisam ser executadas corretamente para evitar infiltrações e problemas futuros”, alertou.

Mesmo diante dos desafios, pesquisadores acreditam que Recife possui condições climáticas favoráveis para ampliar o uso da infraestrutura verde nos próximos anos. Para eles, iniciativas como os telhados verdes podem transformar a capital pernambucana em uma cidade mais resiliente às mudanças climáticas, mais sustentável e com melhor qualidade de vida para a população.

Redação ANH/PE




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