Projeto Social de futebol feminino transforma vidas de mulheres em Riacho Doce
Projeto esportivo promove integração e autoestima entre moradoras da região norte. Foto: Alisson Frazão Todas as terças-feiras à noite, a areninha esportiva do Parque Linear de Riacho Doce se transforma em um espaço de encontro, superação e esperança para dezenas de mulheres da região. É ali que acontecem os treinos do Garça Futebol Clube Feminino, equipe formada por moradoras de diferentes idades que encontraram no esporte uma oportunidade de lazer, inclusão social e fortalecimento pessoal.
O time nasceu a partir do projeto Elas Jogam, criado em 2023 pela professora Israelita Azevedo e por Briar Leith. A iniciativa surgiu com o objetivo de ampliar a participação feminina no futebol e oferecer às mulheres da comunidade um ambiente de acolhimento, convivência e construção de novas oportunidades.
Desde então, o projeto vem crescendo e reunindo participantes de bairros como Riacho Doce, Guaxuma, Garça Torta e Ipioca. Atualmente, mais de 30 mulheres integram as atividades, que vão além da prática esportiva e contribuem para o fortalecimento dos vínculos comunitários.
A realidade enfrentada pelas atletas nos primeiros anos era bastante diferente da atual. Sem um espaço adequado para os treinos, os jogos aconteciam na areia da praia ou em campos de terra batida, muitas vezes prejudicados pelas condições climáticas.
Segundo Israelita Azevedo, os períodos de chuva tornavam os campos ainda mais perigosos, aumentando o risco de acidentes. A entrega do Parque Linear de Riacho Doce, em março deste ano, representou uma mudança significativa para o projeto.
Com investimento superior a R$ 1,8 milhão, o equipamento público conta com uma área de 4.850 metros quadrados e oferece diversas opções de lazer e atividades físicas, incluindo academia ao ar livre para idosos, playground, ciclovia, quiosques e a areninha esportiva utilizada pelo time.
Além de proporcionar melhores condições para a prática esportiva, a nova estrutura tem contribuído para a continuidade do projeto e para a motivação de suas participantes. Israelita, que foi diagnosticada com fibromialgia há quatro anos, afirma que convive diariamente com dores, mas encontra força no impacto positivo que o futebol gera na vida das mulheres atendidas pela iniciativa.
Entre as atletas está Sophia Alves, de 13 anos, que sonha em se tornar jogadora profissional. Ela conta que se apaixonou pelo futebol ainda criança, inspirada pelo pai e pelo irmão mais velho, e acompanhou de perto o crescimento do projeto.
Sophia lembra que, quando começou a participar das atividades, apenas quatro pessoas integravam o grupo. Hoje, com uma estrutura adequada e um número maior de participantes, ela vê o projeto como um espaço de desenvolvimento esportivo, amizade e pertencimento.
Mais do que revelar talentos para o futebol, o Elas Jogam tem se consolidado como uma ferramenta de transformação social, promovendo inclusão, autoestima e empoderamento feminino. Em Riacho Doce, cada treino representa não apenas uma disputa dentro de campo, mas também uma demonstração de resistência, união e conquista de espaço para mulheres que encontraram no esporte uma oportunidade de mudar suas histórias.
Redação ANH/AL








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