Alagoas registra mais de 650 prisões em 2026 e reforça combate às facções
Ações estão alinhadas ao Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Foto: Pei Fon/ Agência Alagoas A Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) intensificou o combate ao crime organizado com uma série de operações integradas que atuam simultaneamente nas fronteiras terrestres, no litoral e em ações de inteligência voltadas à desarticulação de facções criminosas. As medidas fazem parte do programa federal Brasil Contra o Crime Organizado e são coordenadas em Alagoas pela Chefia Geral de Inteligência Integrada, com base no Plano Estratégico de Ações Integradas (PEAI).
De acordo com a SSP, entre 11 de maio e 5 de junho de 2026, as ações realizadas nas divisas do estado provocaram prejuízo estimado em R$ 1,2 milhão às organizações criminosas. Os dados são do Centro Integrado de Operações de Fronteira (CGFRON), vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
Segundo o secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, os resultados refletem uma política permanente de enfrentamento ao crime.

“Alagoas está na vanguarda desse programa nacional. Temos inteligência funcionando, forças integradas e resultado concreto. Isso não é esforço pontual, é uma política de Estado”, afirmou.
A principal frente de atuação é a Operação Protetor das Divisas, que tem vigência prevista até 2027. O trabalho se concentra em municípios estratégicos nas fronteiras com Pernambuco e Sergipe, além da região do Sertão. Entre as áreas monitoradas estão Maragogi, Penedo, Piaçabuçu, Porto Real do Colégio, Delmiro Gouveia, Olho d’Água do Casado, Piranhas e São José da Lage.
Durante os meses de maio e junho, a Polícia Militar mobilizou 140 postos de serviço para reforçar a fiscalização nas divisas. A Polícia Civil também participa das ações por meio da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco).
O balanço do período aponta 21 prisões, sendo 14 em flagrante e sete em cumprimento de mandados judiciais. As operações resultaram ainda na apreensão de 23,7 quilos de drogas, incluindo maconha, crack e cocaína, além de oito armas de fogo, munições e veículos utilizados no transporte de materiais ilícitos.
O governador Paulo Dantas destacou a evolução dos indicadores de segurança pública no estado.
“Alagoas tem construído, ao longo dos últimos anos, uma segurança pública que age com planejamento, inteligência e integração. Os resultados apresentados são fruto de um trabalho árduo das nossas forças policiais, que enfrentam o crime organizado sem recuar”, afirmou.
Além das ações terrestres, a SSP colocou em operação novas frentes especializadas. A Operação Faro utiliza equipes do Canil da Polícia Militar e da Diretoria de Inteligência para identificar drogas e armas escondidas em veículos de carga e transporte de passageiros. Ao todo, 66 agentes participam da iniciativa, que conta com cães farejadores treinados para localizar materiais ilícitos.
Outra estratégia é a Operação Fronteira Marítima, que amplia o monitoramento de áreas costeiras consideradas vulneráveis à atuação de organizações criminosas. A ação concentra esforços em municípios como São Miguel dos Milagres, Coruripe e Porto de Pedras, com atividades de policiamento ostensivo, cumprimento de mandados e coleta de informações de inteligência.
Os dados da SSP mostram ainda que, desde maio de 2022, Alagoas contabilizou 4.469 prisões em 347 municípios distribuídos por 28 estados brasileiros. Os principais crimes associados aos mandados cumpridos são homicídio, participação em organizações criminosas, tráfico de drogas e roubo.

Somente em 2026, já foram registradas 653 prisões em 120 municípios de 14 estados. Em junho, das 20 prisões efetuadas até o momento, metade está relacionada diretamente à atuação de organizações criminosas.
Entre as ações de maior repercussão está a Operação Morro do Alemão, realizada no último dia 3 de junho. A investigação, conduzida pela Dracco com apoio da Inteligência da SSP, resultou na prisão do influenciador digital Patrick de Almeida Silva, conhecido como PTK, apontado como integrante de uma estratégia do Comando Vermelho para ampliar sua influência política em Alagoas.
As investigações indicam que o influenciador teria sido escolhido por lideranças da facção para representar interesses do grupo criminoso em espaços institucionais. Durante a operação, foram cumpridos mandados em Maceió, Marechal Deodoro e Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro, resultando na prisão de nove pessoas.
Com PTK, os agentes apreenderam R$ 20 mil em espécie, celulares, joias e equipamentos eletrônicos. A Polícia Civil também apura possível incompatibilidade entre o patrimônio apresentado pelo investigado e sua renda declarada.
Para o secretário Flávio Saraiva, a operação demonstra a capacidade de atuação integrada das forças de segurança.
“A Inteligência da Segurança Pública vem acompanhando passo a passo todos esses elementos vinculados à organização criminosa. Não permitiremos isso. Alagoas é um estado ordeiro e continuará enfrentando o crime organizado com firmeza”, declarou.
As ações contam com participação conjunta da Polícia Militar, Polícia Civil, Departamento Estadual de Aviação, Ministério Público, Poder Judiciário e forças de segurança de outros estados, consolidando a estratégia de enfrentamento permanente ao avanço das facções criminosas em Alagoas.
Redação ANH/AL









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