Advogadas encerram atuação e deixam defesa de Monique Medeiros
Monique Medeiros passa a contar com nova estratégia de defesa após desligamentos. (Tomaz Silva/Agência Brasil) As advogadas Florence Rosa e Amanda Melo anunciaram o desligamento da defesa de Monique Medeiros, após a conclusão do julgamento que analisou a morte do menino Henry Borel, de 4 anos. A decisão foi comunicada pelas próprias profissionais nas redes sociais na quinta-feira (11), poucos dias após o desfecho do caso no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
Florence Rosa informou que pretendia continuar atuando na fase recursal do processo, mas optou por deixar a defesa em razão da entrada de um novo advogado na equipe e da existência de divergências quanto à estratégia jurídica a ser adotada. Segundo ela, a incompatibilidade de entendimentos sobre a condução técnica do caso motivou a saída.
A advogada destacou que diferenças de posicionamento fazem parte do exercício da advocacia e ressaltou que a coerência estratégica é fundamental para garantir a plenitude da defesa. Florence foi uma das responsáveis pela sustentação oral de Monique durante o julgamento, considerado o mais longo da história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, com 11 dias de depoimentos, interrogatórios e debates entre acusação e defesa.
Amanda Melo também comunicou sua saída e explicou que sua atuação ocorreu em parceria com Florence Rosa. Segundo ela, havia a intenção de permanecer no processo durante a fase de recursos, mas a mudança na composição da equipe jurídica e a adoção de uma nova estratégia defensiva encerraram sua participação no caso.
O julgamento resultou na condenação do ex-vereador Jairinho, apontado como responsável pela morte de Henry Borel. Ele recebeu pena de 43 anos de prisão. Já Monique Medeiros teve a acusação de homicídio por omissão desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e recebeu perdão judicial.
A juíza Elizabeth Machado Louro determinou a soltura de Monique, entendimento que foi contestado pelo Ministério Público, que recorreu da decisão. A sentença também reconheceu a responsabilidade de Monique por omissão em um episódio de tortura contra o filho. No entanto, a pena aplicada, de um ano e quatro meses, foi considerada integralmente cumprida.
Na decisão, a magistrada afirmou que Monique foi alvo de intenso julgamento público desde o início das investigações, destacando que, apesar de ser descrita por testemunhas como uma mãe dedicada e de não ter sido acusada de praticar diretamente as agressões físicas, sofreu forte exposição e ataques nas redes sociais ao longo do processo.
A sentença também determinou que Leniel Borel, pai da criança, receba indenização por danos morais no valor de R$ 400 mil, a ser paga por Jairinho. O caso continua em tramitação na esfera recursal e ainda poderá ter novos desdobramentos judiciais.
Redação ANH/RJ






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