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Maceió,20/06/2026

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Eduardo Bolsonaro fica inelegível após condenação unânime da Primeira Turma do STF

Assessoria
Eduardo Bolsonaro fica inelegível após condenação unânime da Primeira Turma do STF Primeira Turma do STF condena Eduardo Bolsonaro e determina perda de cargo na PF. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta terça-feira (16), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a quatro anos e dois meses de reclusão em regime inicial semiaberto pelo crime de coação no curso do processo. A decisão também determina o pagamento de 50 dias-multa, calculados com base em dois salários mínimos por dia, além da perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e da inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena.

A condenação teve como base denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusou Eduardo Bolsonaro de atuar para interferir nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado e beneficiar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os autos, o ex-parlamentar buscou apoio de autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes da Suprema Corte brasileira e influenciar o andamento dos processos relacionados ao caso.

De acordo com as investigações, as ações envolveram contatos com integrantes do governo norte-americano, incluindo o presidente Donald Trump, além da articulação de medidas de pressão política, econômica e diplomática contra o Brasil. Entre os elementos apontados pela acusação estão o incentivo à adoção de sanções econômicas contra produtos brasileiros, a defesa da aplicação de medidas previstas na Lei Magnitsky e iniciativas voltadas à restrição de vistos para ministros do STF.

Relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que as provas reunidas demonstraram uma tentativa deliberada de intimidar a Corte e interferir no curso das investigações. Segundo ele, foram identificados ao menos nove episódios distintos de coação, caracterizando continuidade delitiva e justificando o aumento da pena aplicada.

Durante o julgamento, Moraes destacou que a imunidade parlamentar não pode ser utilizada para proteger condutas voltadas à pressão de instituições democráticas. “Não é função de deputado brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”, afirmou o ministro em seu voto.

A condenação foi acompanhada pelos demais integrantes da Primeira Turma do STF. Com a decisão, Eduardo Bolsonaro perde o cargo público que ocupava na Polícia Federal e ficará impedido de disputar eleições pelo período previsto na legislação após o cumprimento da pena.

Em nota divulgada após o julgamento, o ex-deputado contestou a decisão e classificou o processo como irregular. Eduardo Bolsonaro afirmou que não foi formalmente citado por meio de carta rogatória, instrumento utilizado para comunicações judiciais internacionais, e sustentou que qualquer sentença proferida seria nula por suposta violação ao devido processo legal.

O ex-parlamentar também criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, alegando que o magistrado atuaria simultaneamente como vítima e julgador no caso. Além disso, atribuiu motivação política ao processo e afirmou que o objetivo da ação seria afastá-lo da disputa eleitoral.

Atualmente residindo nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro declarou ainda acreditar em uma mudança no cenário político brasileiro a partir das próximas eleições presidenciais, defendendo o retorno ao país de brasileiros que considera perseguidos politicamente.

Redação ANH/DF




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