Governo acelera “Celular Seguro” e avalia impacto político às vésperas das eleições
Presidente Lula em cerimônia com min. da Justiça, Wellington Lima e Silva, e sec. nacional de Segurança, Chico Lucas. Foto: Ricardo Stuckert / PR Governo avalia impacto político do “Celular Seguro” e acelera lançamento de nova fase do programa
Integrantes do governo federal avaliam com cautela os impactos da nova fase do programa “Celular Seguro”, voltado ao combate ao roubo e furto de aparelhos. A iniciativa, desenvolvida pelo Ministério da Justiça, prevê o envio de notificações a usuários de celulares com registro de roubo ou furto, orientando a devolução voluntária dos dispositivos.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a medida foi analisada por diferentes áreas do governo e gerou debates internos. Técnicos da Casa Civil e da Secretaria de Comunicação Social (Secom) demonstraram preocupação com possíveis repercussões negativas, especialmente entre consumidores que possam ter adquirido aparelhos sem conhecimento da origem ilícita.
Uma das principais preocupações é que esses usuários se sintam prejudicados ao serem orientados a devolver os celulares, o que poderia gerar insatisfação e eventual desgaste político. Também foi levantada a possibilidade de falhas no sistema de notificações, com envio indevido de alertas a pessoas que não estejam em posse de aparelhos roubados ou furtados.
Diante dessas ponderações, parte dos auxiliares defendeu testes mais amplos antes da implementação em larga escala. Ainda assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu avançar com o lançamento do programa, realizado nesta terça-feira (23), na Base Aérea de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Durante a cerimônia, o presidente destacou a importância da iniciativa e fez um alerta à população sobre segurança no uso de celulares em locais públicos.
“A hora que você tiver que falar no celular, olhe bem do seu lado e veja se tem alguém perto de você”, afirmou.
A implementação ocorre em um contexto de restrições do calendário eleitoral, que limita a participação do presidente em eventos oficiais até o início de julho. Por isso, o governo optou por antecipar a divulgação da medida.
O programa já havia sido apresentado anteriormente pelo presidente em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, o Conselhão. Na ocasião, Lula mencionou a existência de cerca de 2,5 milhões de celulares roubados no país e afirmou que o governo estudava formas de localizar e notificar usuários dos aparelhos.
Durante o lançamento, o presidente também defendeu a devolução voluntária dos dispositivos e afirmou que pessoas que adquiriram celulares sem saber da origem ilícita não devem temer punições.
“O que a gente está dizendo é: se você tem um telefone roubado, mas comprou sem saber, você deve procurar uma delegacia para entregar”, declarou.
Nos bastidores, alguns auxiliares avaliam que o período pré-eleitoral exige cautela na divulgação de iniciativas com potencial de controvérsia, priorizando ações com maior impacto positivo imediato. Ainda assim, o governo aposta que o programa pode contribuir para a redução de crimes relacionados a celulares e reforçar políticas de segurança pública.
Concluído pelo Ministério da Justiça, o “Celular Seguro” foi inspirado em uma experiência implementada no Piauí, que utiliza o número de identificação dos aparelhos (IMEI) integrado a investigações policiais. Segundo dados apresentados pelo governo estadual, a iniciativa local teria contribuído para uma redução significativa nos índices de roubo de celulares no estado.
Redação ANH/DF







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