MPPE apura suspeitas de graves problemas em hospitais públicos de Pernambuco
A constatação do funcionamento reduzido dos leitos da UTI Neurológica do HR acontece quase três meses após o setor receber nove novos leitos, entregues pelo Governo do Estado. (Foto: Rafael Vieira / DP Fotos) O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou três procedimentos investigativos para apurar denúncias de problemas estruturais, sanitários e assistenciais em hospitais da rede pública estadual. As investigações têm como foco o Hospital da Restauração (HR), no Centro do Recife, o Hospital Geral de Areias, na Zona Oeste, e o Hospital Agamenon Magalhães, na Zona Norte da capital pernambucana.
A decisão foi formalizada na última quarta-feira (17) pela promotora de Justiça Eleonora Marise Silva Rodrigues, responsável pelas apurações. Segundo o MPPE, as investigações buscam esclarecer denúncias de desabamento de forro e falhas no funcionamento de elevadores no Hospital da Restauração, além de casos de superlotação e suposta contaminação biológica por roedores e fungos nos hospitais Geral de Areias e Agamenon Magalhães.
As apurações foram motivadas por uma denúncia apresentada em maio por um grupo de deputados estaduais da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), liderado pelo deputado Rodrigo Mota de Farias. Os parlamentares encaminharam ao Ministério Público documentos internos do Sistema Eletrônico de Informações de Pernambuco (SEI-PE), produzidos entre novembro de 2025 e maio de 2026, que apontariam uma série de irregularidades em unidades da rede estadual de saúde.
Além dos problemas investigados nos três hospitais, os documentos mencionam supostos casos de reações alérgicas provocadas por infestação de cupins no Hospital Ulysses Pernambucano, no Recife, e o desabamento de forros na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Barão de Lucena.
Também foram levantados questionamentos sobre contratos de gestão firmados sem licitação envolvendo o Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, e Unidades Pernambucanas de Atendimento Especializado (UPAEs).
De acordo com o MPPE, as denúncias foram desmembradas para evitar sobreposição com investigações já em andamento. Os casos relacionados ao Hospital Ulysses Pernambucano e às obras da UTI Neonatal do Hospital Barão de Lucena já são objeto de apurações específicas.
Já as denúncias envolvendo as UPAEs e o Hospital Mestre Vitalino foram encaminhadas às Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público da Capital, consideradas competentes para analisar possíveis irregularidades em contratos e na gestão de recursos públicos.
Com a abertura dos procedimentos, o Ministério Público deverá solicitar informações aos órgãos responsáveis, além de reunir documentos e realizar diligências para verificar a procedência das denúncias e adotar eventuais medidas cabíveis. A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) ainda não havia se pronunciado sobre o conteúdo das investigações até a divulgação da decisão do MPPE.
Redação ANH/PE







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