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Maceió,06/07/2026

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Exoneração de delegados movimenta caso da fazenda da maconha no Ceará

Assessoria
Exoneração de delegados movimenta caso da fazenda da maconha no Ceará Corpo de Bombeiros utilizou técnica para queimar droga. Foto: Divulgação/PCCE

Delegados investigados no caso da plantação de maconha em Acopiara são exonerados de cargos de chefia

Os dois delegados da Polícia Civil do Ceará (PCCE) investigados por supostas falhas na custódia da plantação de maconha encontrada em Acopiara, no interior do estado, foram exonerados dos cargos de chefia que ocupavam. A medida foi adotada após a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar eventuais responsabilidades no caso.

Conforme documento obtido pela reportagem, Marcos Sandro Nazaré de Lira, que exercia a função de delegado seccional da 4ª Seccional do Interior Sul, e Vicente de Paula Rodrigues, delegado titular da Delegacia de Polícia Civil de Acopiara, foram afastados dos cargos desde o dia 29 de junho.

As exonerações ocorreram com base na Lei Estadual nº 13.441/2004, que determina que policiais civis respondendo a processo administrativo disciplinar não podem permanecer em cargos comissionados ou funções de chefia até a conclusão do julgamento. A legislação prevê, no entanto, que eventual demissão só poderá ocorrer após a decisão final do processo.

A decisão foi criticada pela Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Ceará (Adepol-CE). O presidente da entidade, Jaime de Paula Pessoa Linhares, afirmou que a medida representa um "prejulgamento" e provoca prejuízos financeiros aos delegados.

Em nota, a assessoria jurídica da Adepol classificou as exonerações como precipitadas e desproporcionais, argumentando que não houve uma investigação preliminar capaz de delimitar as responsabilidades de cada envolvido antes da abertura do PAD.

Os advogados Leandro Vasques e Seledon Dantas, que representam os delegados, também criticaram a decisão. Segundo eles, o caso estaria sendo tratado de forma personalista, atribuindo a responsabilidade exclusivamente às duas autoridades policiais, quando a apuração deveria considerar o contexto institucional dos fatos.

Investigação

O governador do Ceará, Elmano de Freitas, confirmou na última semana que a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) instaurou procedimento para investigar a atuação dos agentes responsáveis pela custódia da plantação de aproximadamente 290 mil pés de maconha encontrada em uma fazenda em Acopiara.

Segundo o governador, a apuração irá definir se houve responsabilidade por parte dos envolvidos.

A investigação ganhou repercussão após o deputado federal André Fernandes divulgar vídeos mostrando que parte da plantação permanecia no local, apesar de a legislação prever a destruição da droga.

Na ocasião, Elmano esteve pessoalmente na fazenda para acompanhar a operação e determinou a destruição integral da plantação, afirmando que "a polícia não sairia do local enquanto toda a droga não fosse destruída".

Dias depois, o parlamentar voltou ao terreno e publicou novas imagens nas quais aparece desenterrando restos da plantação, alegando que a droga havia sido enterrada em vez de incinerada.

Em resposta, a Polícia Civil informou que foi adotada uma técnica de destruição controlada utilizada pelo Corpo de Bombeiros. Segundo a corporação, as plantas foram queimadas em valas e posteriormente cobertas com terra para evitar a propagação das chamas, acrescentando que o material encontrado pelo deputado correspondia apenas a resíduos da destruição já realizada.

Redação ANH/CE




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