Sindicato denuncia efetivo reduzido e cobra diálogo com Governo do RN
Familiares de presos protestam em frente ao Complexo Penal de Alcaçuz após o segundo dia sem visitas. Foto: Reprodução/TV Ponta Negra Policiais penais alegam falta de efetivo e mantêm restrições a visitas em Alcaçuz; familiares protestam
As visitas sociais ao Pavilhão 4 do Complexo Penal de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, seguem comprometidas em meio ao impasse entre o Sindicato dos Policiais Penais do Estado (Sindppen-RN) e a Secretaria da Administração Penitenciária (Seap). A categoria afirma que não realizará atividades além das consideradas essenciais enquanto não houver condições adequadas de segurança e reforço no efetivo.
Segundo a presidente do Sindppen-RN, Vilma Batista, apenas quatro policiais penais estavam disponíveis para atuar no Pavilhão 4, onde estão custodiados 943 detentos, no dia previsto para a realização das visitas. Desse total, apenas um integrava a escala ordinária, enquanto os outros três atuavam por meio de diárias operacionais.
De acordo com a dirigente, o contingente é insuficiente para garantir a segurança de servidores, visitantes e internos durante a movimentação necessária para a entrada dos familiares.
"O efetivo disponível não oferece condições para abrir os portões e realizar as visitas com segurança", afirmou Vilma Batista, em entrevista à TV Tropical.
O sindicato também manifestou preocupação com o risco de novos episódios de violência nas unidades prisionais. Segundo a entidade, a falta de pessoal pode favorecer a ocorrência de rebeliões, motins e até mortes, caso a situação não seja solucionada.
Vilma Batista informou ainda que a categoria aguarda uma reunião com representantes da Casa Civil e da Secretaria da Administração Penitenciária para discutir medidas que garantam melhores condições de trabalho. Enquanto isso, o sindicato reafirma que apenas os serviços considerados essenciais continuarão sendo executados.
Em nota, a Seap informou que acompanha a mobilização dos policiais penais, mas negou ter determinado a suspensão das visitas em Alcaçuz. A secretaria ressaltou que a decisão de suspender visitas sociais compete exclusivamente ao juiz da Execução Penal e acrescentou que, até o momento, não há previsão de reunião com o sindicato.
Familiares protestam
Pelo segundo dia consecutivo, familiares de presos realizaram um protesto em frente ao Complexo Penal de Alcaçuz após o cancelamento das visitas ao Pavilhão 4.
Os manifestantes relataram que chegaram a passar pelos procedimentos iniciais de acesso, mas foram informados do cancelamento apenas no momento em que seguiriam para o interior da unidade. Muitos afirmaram ter viajado de cidades do interior do estado sem qualquer aviso prévio sobre a suspensão.
Durante o ato, familiares criticaram a falta de comunicação antecipada e destacaram que idosos, gestantes e pessoas acompanhadas de crianças enfrentaram deslocamentos desnecessários.
Eles também ressaltaram que as visitas não têm apenas caráter social, mas são fundamentais para a entrega de medicamentos, produtos de higiene e do enxoval trimestral destinado aos internos. Com faixas exibidas durante a manifestação, o grupo reforçou que "visita não é lazer, é direito dos internos".
O impasse ocorre em meio às discussões sobre o efetivo das unidades prisionais e as condições de segurança para a realização das atividades no sistema penitenciário do Rio Grande do Norte.
Redação ANH/RN







COMENTÁRIOS