ONU aponta mais de mil casos de violência sexual na Guerra da Ucrânia
Volker Türk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos. (Foto: Jean Marc Ferré/UNHCR)
O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) informou que mais de mil casos de violência sexual foram documentados desde o início da invasão russa da Ucrânia até o fim de julho deste ano. Segundo o órgão, 89% dos casos identificados foram atribuídos a autoridades russas e 11% a autoridades ucranianas.
A ONU ressaltou, no entanto, que o número representa apenas uma parcela dos casos ocorridos durante o conflito. Danielle Bell, chefe da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, explicou que os investigadores tiveram acesso limitado às vítimas e não conseguiram entrar em territórios ucranianos atualmente controlados pela Rússia.
A apuração foi baseada em entrevistas confidenciais com centenas de vítimas, além da análise de documentos judiciais e registros oficiais. Segundo Bell, os investigadores conseguiram entrevistar cerca de 10% dos prisioneiros libertados pelos dois lados.
O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou estar alarmado com a quantidade de casos documentados e alertou para a possibilidade de que a violência continue em meio à guerra.
De acordo com o relatório, os casos atribuídos às forças russas envolveram integrantes das Forças Armadas, do sistema prisional e dos serviços de segurança. A maioria das vítimas era formada por homens, principalmente em locais de detenção. Mulheres e crianças também foram vítimas, sobretudo em territórios ucranianos ocupados pela Rússia.
A ONU identificou relatos de estupros, estupros coletivos, mutilações genitais, choques elétricos, agressões nos órgãos genitais e outros atos de violência e tratamento degradante de natureza sexual.
Entre os casos documentados, a vítima mais jovem tinha 4 anos, enquanto a mais velha tinha 82. Ambos os episódios foram atribuídos pela ONU a autoridades russas.
Também foram registrados casos atribuídos às autoridades ucranianas contra prisioneiros de guerra russos e cidadãos de outros países. Segundo o relatório, cerca de metade desses episódios envolveu ameaças de violência sexual. Também foram relatados casos de nudez forçada, choques elétricos, agressões nos órgãos genitais, tratamentos sexualmente degradantes, duas agressões sexuais e duas tentativas de estupro.
Diante dos registros, Türk defendeu que Rússia e Ucrânia investiguem de forma rápida, minuciosa e imparcial todas as alegações consideradas críveis e garantam a responsabilização dos envolvidos.








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