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Maceió,18/09/2026

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ONU aponta mais de mil casos de violência sexual na Guerra da Ucrânia

Assessoria
ONU aponta mais de mil casos de violência sexual na Guerra da Ucrânia Volker Türk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos. (Foto: Jean Marc Ferré/UNHCR)



O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) informou que mais de mil casos de violência sexual foram documentados desde o início da invasão russa da Ucrânia até o fim de julho deste ano. Segundo o órgão, 89% dos casos identificados foram atribuídos a autoridades russas e 11% a autoridades ucranianas.

A ONU ressaltou, no entanto, que o número representa apenas uma parcela dos casos ocorridos durante o conflito. Danielle Bell, chefe da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, explicou que os investigadores tiveram acesso limitado às vítimas e não conseguiram entrar em territórios ucranianos atualmente controlados pela Rússia.

A apuração foi baseada em entrevistas confidenciais com centenas de vítimas, além da análise de documentos judiciais e registros oficiais. Segundo Bell, os investigadores conseguiram entrevistar cerca de 10% dos prisioneiros libertados pelos dois lados.

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou estar alarmado com a quantidade de casos documentados e alertou para a possibilidade de que a violência continue em meio à guerra.

De acordo com o relatório, os casos atribuídos às forças russas envolveram integrantes das Forças Armadas, do sistema prisional e dos serviços de segurança. A maioria das vítimas era formada por homens, principalmente em locais de detenção. Mulheres e crianças também foram vítimas, sobretudo em territórios ucranianos ocupados pela Rússia.

A ONU identificou relatos de estupros, estupros coletivos, mutilações genitais, choques elétricos, agressões nos órgãos genitais e outros atos de violência e tratamento degradante de natureza sexual.

Entre os casos documentados, a vítima mais jovem tinha 4 anos, enquanto a mais velha tinha 82. Ambos os episódios foram atribuídos pela ONU a autoridades russas.

Também foram registrados casos atribuídos às autoridades ucranianas contra prisioneiros de guerra russos e cidadãos de outros países. Segundo o relatório, cerca de metade desses episódios envolveu ameaças de violência sexual. Também foram relatados casos de nudez forçada, choques elétricos, agressões nos órgãos genitais, tratamentos sexualmente degradantes, duas agressões sexuais e duas tentativas de estupro.

Diante dos registros, Türk defendeu que Rússia e Ucrânia investiguem de forma rápida, minuciosa e imparcial todas as alegações consideradas críveis e garantam a responsabilização dos envolvidos.

Redação ANH




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